Em meio à pressão que o cerca às vésperas do plenário de 15 de setembro, o ministro Alexandre de Moraes voltou a atacar André Mendonça nesta sexta-feira (11) e acusou o colega de proteger um “determinado grupo político” no caso Banco Master, segundo a Jovem Pan. No novo ofício ao presidente Edson Fachin, Moraes rebateu a versão de que o material do julgamento já estava integralmente disponível aos gabinetes e afirmou que 18 procedimentos inteiros e outros 180 documentos seguem fora do alcance dos demais ministros. Para a base bolsonarista, o movimento soa menos como transparência e mais como tentativa de arrastar Mendonça — o relator que destampou peças incômodas — para o centro do fogo. Ministro Alexandre de Moraes, do STF, autor do ofício que acusa Mendonça de proteger grupo político

Conforme a Jovem Pan, Moraes anexou imagens do sistema eletrônico do Supremo que apontariam peças ainda sigilosas em processos como a PET 15.556, a PET 15.978, o Inquérito 5.026, a Reclamação 88.121 e a PET 15.198. Ele classificou o levantamento feito por Mendonça como seletivo e direcionado e relacionou a crítica a acusações anteriores sobre acordos de colaboração e diligências. “Não cabe ao relator decidir quais documentos poderão ser analisados pelo restante do colegiado”, escreveu Moraes, ainda segundo a reportagem. Mendonça, por sua vez, já havia negado seleção indevida e sustentado que manteve sob sigilo apenas conteúdos de investigações em andamento ou protegidos por sigilos bancário, fiscal e de dados pessoais. Ministro André Mendonça, do STF, alvo da acusação de Moraes sobre sigilo do caso Master

A disputa ganhou corpo depois que Fachin determinou o compartilhamento dos procedimentos da Operação Compliance Zero antes da sessão extraordinária de terça e acolheu cobrança da Procuradoria-Geral da República por mais abertura, com prazo de 24 horas, conforme a Jovem Pan. Mendonça respondeu negando seletividade; Moraes agora amplia a conta para 18 procedimentos inteiros além dos 180 documentos. Também nesta sexta, Cristiano Zanin pediu cópia integral dos dados do celular de Daniel Vorcaro, material que, segundo ele, já está com o relator e com a defesa do ex-dono do Master. Enquanto Moraes tenta inverter o foco para Mendonça e para um “grupo político”, o calendário segue apontando para o julgamento que coloca o próprio ministro sob escrutínio do plenário. Sessão plenária do STF, onde ministros discutem o acesso aos documentos do caso Master