MILEI CHAMA GRUPO COM LULA E DILMA DE “TREM FANTASMA” E REACENDE EMBATE IDEOLÓGICO
Presidente argentino comentou montagem com líderes latino-americanos de esquerda e voltou a atacar o campo político representado pelo PT.
Por Redação Editorial Central20/08/2026 02:232 min de leitura
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a provocar Luiz Inácio Lula da Silva em publicação na rede X, em 18 de agosto. Milei republicou uma montagem com Lula, Dilma Rousseff e outros líderes latino-americanos associados à esquerda. A postagem original usava a expressão “socialismo empobrecedor do século XXI”, e o argentino acrescentou “trem fantasma”.
IRONIA MIROU A ESQUERDA LATINO-AMERICANA
A expressão de Milei é opinião política e provocação, não descrição factual. Ela integra a estratégia do presidente argentino para diferenciar seu programa liberal das experiências de esquerda, do peronismo e dos governos vinculados ao chamado socialismo do século XXI.
Petismo, peronismo e chavismo não são correntes idênticas, embora compartilhem, em graus diversos, maior presença do Estado na economia. O Brasil não é um regime socialista: mantém economia de mercado, propriedade privada, eleições e instituições constitucionais.
CRÍTICA AO PT SE CONCENTRA NO ESTATISMO
Sob perspectiva liberal-conservadora, o PT pode ser criticado por expansão de despesas, busca recorrente de receitas tributárias, intervencionismo e resistência à redução do peso do Estado. É nesse sentido opinativo que críticos classificam o modelo como “socialismo de quinta categoria”: preserva o mercado para arrecadar, enquanto amplia subsídios, estruturas estatais e interferências sem serviços proporcionais ao custo imposto à população.
ATAQUES PESSOAIS AGRAVAM A TENSÃO
Milei já fez outras declarações ofensivas contra Lula. A divergência ideológica é legítima, mas ataques pessoais podem prejudicar relações entre as duas maiores economias do Mercosul, cujas cadeias produtivas, comércio, investimentos e empregos permanecem integrados.
ARGENTINOS VALORIZAM A RELAÇÃO COM O BRASIL
Pesquisa Zuban Córdoba, realizada entre 8 e 10 de agosto com 1.200 argentinos, indicou que 70,5% desaprovavam ataques de Milei contra Lula e 20% aprovavam. O levantamento apontou ainda que 88,9% consideravam o Brasil importante para a economia argentina.
DOIS PROJETOS OPOSTOS PARA A REGIÃO
O episódio reforça a polarização entre desregulamentação e ajuste fiscal defendidos por Milei e a maior presença estatal adotada por Lula. Para o Editorial Central, a provocação acerta ao manter sob escrutínio os resultados do estatismo, mas perde força ao substituir argumentos por insultos. O governo Lula deve ser cobrado por gastos, impostos, intervencionismo e resultados concretos.
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