Mensagens encontradas em um celular revelam que o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, financiou e comandou diretamente uma rede de prostituição com atuação no Brasil e no exterior, segundo investigação do UOL. Pelo menos R$ 4,3 milhões foram investidos na estrutura, que recrutava inclusive mulheres refugiadas da guerra na Ucrânia, além de argentinas, venezuelanas, russas e polonesas. Vorcaro era quem selecionava as mulheres por meio de fotos e conversas de aplicativo, autorizava pagamentos, definia contratos e decidia quem entrava ou saía do grupo.

O banqueiro financiava promotores de eventos, com repasses de até R$ 120 mil mensais, e agências de modelos. Promovia eventos privados frequentados por amigos e autoridades em cidades como São Paulo, Londres, Paris, Roma e Dubai. Mensagens obtidas pelo UOL mostram que Vorcaro se referia às mulheres como “escravas” e “kengas”, e as mais jovens como “creche”. Em uma conversa, ao ser informado da presença de três refugiadas ucranianas, respondeu: “Tem que sobrar alguma refugiada pra mim”. A PF investiga o caso para apurar suspeitas de favorecimento da prostituição de terceiros, manutenção de casa de exploração sexual e possível tráfico internacional de pessoas.

Parte das mulheres recrutadas era estrangeira e algumas foram mantidas no Brasil após serem levadas para eventos privados. O esquema teria início em 2023 e envolve intermediários. A investigação amplia o alcance do caso Master e as suspeitas sobre as atividades de Vorcaro além do setor financeiro.