O Supremo Tribunal Federal bloqueou os perfis no X, Instagram e canal do YouTube da Revista Timeline em janeiro de 2025, que tinha o jornalista Luís Ernesto Lacombe como um dos criadores, com participação do blogueiro Allan dos Santos e do apresentador Max Cardoso. A revista, lançada em outubro de 2024 como símbolo de resistência jornalística conservadora contra o ativismo judicial do STF, durou menos de três meses antes de enfrentar censura. Agora, pouco mais de um ano depois, o projeto desmoronou internamente, com Lacombe saindo publicamente e acusando Allan dos Santos de comportamento abusivo e apropriação indevida dos ativos da empresa.

Lacombe relatou que "houve um desgaste longo, muito longo" e "divergências editoriais, sobre conduta, sobre comportamento, sobre gestão administrativa, gestão financeira, planejamento estratégico". O jornalista afirma ainda que a situação afetou sua saúde física e mental. Conforme divulgado por Lacombe, "Allan dos Santos ficou com todos os equipamentos da Timeline. Isso inclui 13 câmeras de estúdio. Ficou com os canais no YouTube, com as redes sociais, ele ficou com a marca". Em vídeo publicado em seu canal do YouTube, Lacombe relatou um incidente envolvendo uma briga de trânsito nos Estados Unidos durante a qual Allan dos Santos teria impedido um caminhão de ultrapassar enquanto dirigiam na neve, colocando em risco a vida dele e de suas esposas.

A desintegração da Timeline simboliza uma realidade incômoda para a direita brasileira: enquanto acusa o STF de censura e ativismo judicial (crítica legítima), os movimentos conservadores internamente recorrem a táticas que replicam comportamento autoritário. Lacombe, que se apresentava como defensor da liberdade de expressão, saiu sem conseguir resolver disputas internas de maneira democrática; Allan dos Santos, foragido e alvo de investigação desde 2021, mantém controle sobre canais e plataformas. Max Cardoso, que iniciou o projeto como co-fundador, simplesmente desapareceu dos holofotes. A revista que prometia combater a censura judicial do Supremo terminou censurada pela disputa interna de seus próprios fundadores.