MARÍA CORINA MACHADO ACUSA REGIME DE FECHAR ESPAÇO AÉREO PARA IMPEDIR SEU RETORNO À VENEZUELA APÓS TERREMOTOS
A líder opositora e Nobel da Paz, exilada desde dezembro de 2025, denunciou que o governo venezuelano bloqueou voos comerciais para impedir sua entrada e a de outros venezuelanos que querem ajudar as vítimas da tragédia. A medida coincide com restrições aeronáuticas confirmadas após os sismos.
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, acusou o regime chavista de fechar o espaço aéreo comercial do país para impedir seu retorno a Venezuela. A denúncia foi feita nesta segunda-feira (29) por meio de um vídeo divulgado em suas redes sociais, enquanto a política se encontrava no Panamá, de onde pretendia embarcar para acompanhar as vítimas dos terremotos que devastaram o norte do país.
DENÚNCIA FEITA EM MOMENTO DE CRISE HUMANITÁRIA
Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz e considerada pela maioria dos venezuelanos como a presidente eleita em 2024, afirmou que seu retorno era “inaplazável” para prestar solidariedade ao povo. “O regime fechou o espaço aéreo de nosso país para tentar me impedir. Quero voltar a Venezuela para acompanhá-los nestas horas dilacerantes”, declarou a opositora. Ela também denunciou obstáculos à distribuição de ajuda humanitária, ao trabalho de equipes de resgate internacionais e à atuação de jornalistas.
RESTRIÇÕES AERONÁUTICAS CONFIRMADAS
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) registrou a emissão de um NOTAM (Aviso aos Aeronavegantes) pela Venezuela, impondo restrições a operações internacionais de decolagem e pouso no Aeroporto Internacional de Maiquetía. As medidas, que exigem autorização prévia das autoridades venezuelanas, estão em vigor entre esta segunda-feira e o dia 7 de julho. O regime ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações de Machado.
CONTEXTO DE EXÍLIO E REPRESSÃO
Impedida de concorrer à eleição presidencial de 2024 contra Nicolás Maduro, María Corina Machado passou meses na clandestinidade dentro da Venezuela devido à onda de repressão do regime. Ela deixou o país em dezembro de 2025, em operação coordenada, para receber o Nobel da Paz em Oslo. Desde então, tem denunciado sistematicamente a ditadura e cobrado uma transição democrática. Seu retorno simbólico em meio à tragédia dos terremotos, que deixaram mais de 1.700 mortos e milhares de feridos e desaparecidos, representaria um forte gesto de liderança para a oposição.
REAÇÃO ESPERADA DA DIREITA E DOS VENEZUELANOS
Para a oposição venezuelana e bolsonaristas/conservadores no Brasil e na América Latina, o episódio reforça o caráter autoritário do regime, que priorizaria o controle político mesmo diante de uma catástrofe humanitária. A tentativa de bloquear a entrada de Machado é vista como mais uma prova da fragilidade do chavismo, que teme o apoio popular massivo à líder opositora.

