LULA REGISTRA CANDIDATURA À REELEIÇÃO COM 88 CERTIDÕES CRIMINAIS NO TSE
Número é muito superior ao de outros candidatos já cadastrados no sistema eleitoral. Patrimônio declarado cai 35,7% em relação a 2022 e fica concentrado em planos de previdência.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formalizou o registro de candidatura à reeleição no Tribunal Superior Eleitoral e apresentou 88 certidões criminais. A documentação integra o pedido protocolado no sistema DivulgaCand e supera largamente os números de outros postulantes que já disponibilizaram seus papéis. Renan Santos (Missão) entregou cinco certidões e Romeu Zema (Novo) apresentou 12. O valor do patrimônio declarado pelo petista ficou em R$ 4,7 milhões, quantia 35,7% menor, em termos nominais, do que os R$ 7,4 milhões informados em 2022.
NÚMERO DE CERTIDÕES SUPERA AMPLAMENTE O DE RIVAIS
Dados do sistema de divulgação de candidaturas do TSE, consultados por veículos como Poder360 e Revista Oeste, mostram que Lula entregou volume 13 vezes superior à média dos demais candidatos já cadastrados naquele momento. Além de Zema e Renan Santos, Samara Martins (UP) apresentou seis certidões e Hertz Dias (PSTU) entregou quatro. Até a manhã de 9 de agosto de 2026, os documentos de Ronaldo Caiado (PSD) e Flávio Bolsonaro (PL) ainda não haviam sido disponibilizados publicamente.
A legislação eleitoral exige a apresentação de certidões criminais das Justiças Federal e Estadual, de primeiro e segundo graus, do domicílio eleitoral do candidato, além de documentos de foro por prerrogativa de função quando for o caso. A quantidade isolada não gera inelegibilidade automática. Quando há registro positivo, o candidato deve anexar também a certidão de objeto e pé, que informa o andamento de cada processo.
MAIOR PARTE DOS DOCUMENTOS RELACIONADA A PROCESSOS ANTERIORES
Fontes que analisaram a documentação apontam que a maior parte das 88 certidões de Lula busca esclarecer a situação atual de processos antigos, inclusive aqueles ligados à Operação Lava Jato cujas condenações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021 por questões de competência e suspeição. A anulação não analisou o mérito das acusações originais de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O TSE tem até 14 de setembro para julgar os pedidos de registro das candidaturas presidenciais.
PATRIMÔNIO DECLARADO CAI R$ 2,7 MILHÕES
A declaração de bens de Lula totaliza R$ 4,7 milhões. A redução em relação a 2022 concentra-se principalmente nos planos de previdência privada do tipo VGBL. Em 2022 o petista declarava cerca de R$ 5,5 milhões a R$ 5,6 milhões em um único plano. Agora informa dois planos que somam R$ 3,31 milhões (R$ 1,93 milhão e R$ 1,38 milhão), equivalentes a 69,4% do patrimônio total. Os demais bens incluem participação em sítio e terrenos em São Bernardo do Campo, um veículo avaliado em R$ 50 mil e outros ativos de menor valor.
DIREITA E BOLSONARISTAS DESTACAM CONTRADIÇÃO COM DISCURSO DE HONESTIDADE
Na avaliação da direita e dos bolsonaristas, o volume de certidões reacende o debate sobre o histórico judicial do presidente e sobre a aplicação real da Lei da Ficha Limpa. Para esse segmento, o número elevado revela a extensão de processos que envolveram Lula ao longo dos anos e contrasta com o discurso permanente de “ficha limpa” e “alma mais honesta do país”. A esquerda, por sua vez, atribui o montante à necessidade burocrática de reunir documentos de diferentes instâncias e jurisdições, destacando que as condenações da Lava Jato foram anuladas e que o presidente segue elegível.
O registro de candidatura inclui ainda um plano de governo de 84 páginas. O prazo final para todos os partidos protocolarem seus candidatos é 15 de agosto. A Justiça Eleitoral analisará se há alguma causa de inelegibilidade antes de deferir ou indeferir os pedidos.

