O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prestou apoio público ao senador Jaques Wagner (PT-BA) nesta quarta-feira (1º/7), durante a inauguração do Hospital Estadual do Litoral Norte, em Alagoinhas (BA). Lula chamou o aliado de “companheiro de longa data” e reforçou a relação pessoal de mais de 40 anos, no primeiro ato público conjunto após a saída de Wagner da liderança do governo no Senado.

“Tem pouca coisa que a gente não escolhe na Bahia. A gente não escolhe pai, mãe, irmão, irmãs. A gente escolhe companheiros, e aqui na Bahia eu tenho companheiros de longa data. O que representa para mim a minha relação com o Jaques Wagner, a minha relação com o Rui Costa, a minha relação com o Jerônimo, [...] e a minha relação com o Otto”, declarou Lula. Ele completou: “nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão”.

 SAÍDA DA LIDERANÇA APÓS OPERAÇÃO DA PF

Jaques Wagner deixou o cargo de líder do governo no Senado no dia 24 de junho, após reunião com Lula no Palácio da Alvorada. A decisão ocorreu em meio ao desgaste provocado pela 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que teve Wagner como alvo. A PF investiga suspeitas de que o senador teria recebido vantagens indevidas ligadas ao Banco Master, incluindo um imóvel e repasses a empresa de familiar, em troca de atuação parlamentar favorável ao banco.

Wagner nega as irregularidades e afirma que sua prioridade agora é provar inocência e atuar pela reeleição de Lula, do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e pela própria reeleição ao Senado.

CONTEXTO POLÍTICO NA BAHIA

A declaração de Lula ocorreu durante agenda de entregas na Bahia, estado estratégico para o PT. Além de Wagner, o presidente citou o governador Jerônimo Rodrigues, o ex-ministro Rui Costa e o senador Otto Alencar (PSD) como parte de seu núcleo de “companheiros” históricos no estado. A fala é interpretada como demonstração de lealdade pessoal em momento de pressão sobre o grupo baiano.

A operação da PF contra Wagner gerou tensão interna no governo e no PT, com aliados defendendo que a investigação segue seu curso enquanto o senador mantém trânsito direto com Lula.