LULA MINIMIZA CRISE DE MARCOLA: “QUEM NUNCA PEDIU UM EMPRÉSTIMO?”
Em reunião com aliados no Palácio da Alvorada, o presidente disse acreditar nas alegações do ex-chefe de gabinete e afirmou que dará o benefício da dúvida. Marcola deixou a campanha após revelação de repasses da empresária Roberta Luchsinger.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) minimizou a crise envolvendo Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que deixou a campanha petista após a revelação de que recebeu dinheiro da empresária Roberta Luchsinger. Em reunião com aliados no Palácio da Alvorada, Lula disse acreditar nas alegações de Marcola de que se trata apenas de uma transação normal e ressaltou que dará o benefício da dúvida ao amigo.
A informação foi antecipada pelo Estadão e confirmada pelo Metrópoles. Segundo pessoas que estavam presentes, o presidente perguntou: “Quem aqui nunca pediu um empréstimo para um amigo?”. Lula também destacou a relação de confiança que mantém com Marcola e afirmou que seu ex-chefe de gabinete colocou os sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça.
MARCOLA DEIXOU A CAMPANHA APÓS REVELAÇÃO DOS REPASSES
Nos bastidores da campanha de Lula, a avaliação é de pouco desgaste direto, já que o presidente não está envolvido na polêmica. Marcola, que era um dos assessores mais próximos do petista e chegou a ocupar a chefia do gabinete pessoal, pediu para deixar a coordenação da campanha para se dedicar à defesa.
Roberta Luchsinger é apontada como sócia ou ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, um dos principais nomes investigados nas fraudes de descontos em aposentadorias. Ela também é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, alvo de investigações por suspeita de tráfico de influência.
EX-ASSESSOR ADMITE REPASSES E DIZ QUE FOI EMPRÉSTIMO
Em nota, Marcola admitiu ter recebido repasses financeiros da empresária. Afirmou que o valor se refere a um empréstimo pessoal já contraído e quitado, negando qualquer ilegalidade. Em novo comunicado enviado na terça-feira (4 de agosto), o ex-assessor disse que pagou R$ 249 mil a Roberta, sem esclarecer se esse era o valor total do que havia recebido. Ele reiterou que colocou seus sigilos à disposição da Justiça para provar que se tratou de operação estritamente privada.
LULA DEFENDE INVESTIGAÇÕES E AUTONOMIA DA PF
Durante a reunião, Lula também afirmou que, no seu governo, a Polícia Federal tem independência e que quem errou deve pagar. O presidente citou exemplos históricos de uso político de denúncias não comprovadas e reforçou que não há privilégio para ninguém, nem mesmo para o próprio filho. A fala ocorre em meio à pressão sobre a campanha petista, que tenta conter o impacto de sucessivas revelações ligadas ao entorno do presidente e às investigações do INSS.

