Lula ficará frente a frente com Trump em setembro — e encontro pode virar acerto de contas
Reaproximação na ONU ocorre após tarifas, sanções e confrontos sobre Bolsonaro, STF, crime organizado e influência chinesa
Lula poderá entrar na sala esperando diplomacia e encontrar Donald Trump com uma longa conta sobre a mesa. Segundo a apuração de Malu Gaspar, os dois devem voltar a se encontrar em 22 de setembro, nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York — oportunidade provável, mas ainda não anunciada como reunião bilateral formal. O reencontro acontece depois de uma relação marcada por tarifas de até 50% em 2025, novas sobretaxas em 2026, sanções contra Alexandre de Moraes, atritos sobre o processo de Jair Bolsonaro, demora brasileira em aceitar o embaixador americano, aproximação de Lula com China e Irã e divergência sobre o tratamento de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
A comparação com Nicolás Maduro é inevitável, mas não pode ser distorcida. Trump cercou o regime venezuelano com sanções financeiras, bloqueio de ativos, restrições ao petróleo e acusações criminais antes da operação que capturou Maduro — uma intervenção extrema e juridicamente contestada. Contra Lula, Washington poderia repetir a parte legal dessa doutrina: exigir cooperação contra organizações criminosas, investigar operações que passem pelo sistema financeiro americano, restringir vistos e aplicar sanções individuais quando houver provas e fundamento nas leis dos Estados Unidos. O encontro seria uma oportunidade para Trump cobrar respostas duras sobre segurança, liberdade de expressão, comércio e alinhamento internacional.
Mas Nova York não pode virar uma emboscada. Não existe acusação criminal pública dos Estados Unidos contra Lula equivalente à formulada contra Maduro, e um presidente em exercício possui imunidade pessoal ampla perante jurisdições estrangeiras. Sem ordem válida e base jurídica excepcional, capturá-lo durante a ONU seria ilegal, violaria compromissos internacionais e provocaria uma crise continental. A pressão possível é política, econômica e diplomática: Trump pode colocar Lula contra a parede, condicionar concessões e ampliar sanções legalmente justificadas. Se tentar repetir literalmente a operação venezuelana, porém, deixaria de cobrar o Brasil e passaria a atacar sua soberania.

