Segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo, Lula disse a um senador que tenta a reeleição: “Vamos fazer o diabo para ganhar no primeiro turno. Nossas análises indicam que um segundo turno seria muito complicado.” A conversa teria ocorrido há duas semanas, no meio das gravações do horário eleitoral. Não é discurso em praça. É recado de bastidor, publicado neste domingo.

A frase não é nova. Em 2002, o próprio Lula falou em “fazer o diabo” se precisasse para ganhar. Em 2015, Dilma disse que, em eleição, “a gente faz o diabo”. Agora o petista repete o verbo com o relógio andando: Vox e outras pesquisas mostram empate técnico com Flávio Bolsonaro. No segundo turno, votos de Caiado, Zema e Renan podem ir para um só lado. Por isso o Planalto quer matar o jogo em outubro, não em novembro.

Na avaliação editorial, “fazer o diabo” na boca de quem controla o orçamento não é metáfora inocente. Pode ser só pressão de palanque. Pode ser máquina, cargo, emenda e medo. O leitor que já viu o PT no poder não precisa de dicionário. Segundo turno complicado é o que as pesquisas sussurram. Fazer o diabo é o que o presidente, segundo a coluna, prometeu ao aliado. Cabe à urna, não ao slogan, decidir se o pacto fecha.