Lula disse neste domingo (27) que a escolha de ministro do Supremo não pode continuar na mão do presidente. A entrevista é o Canal Livre, da Band, gravada de manhã no Palácio da Alvorada. O g1 publicou as frases. “A única coisa que eu posso dizer é que não pode continuar do jeito que está.” E foi além: “Eu quero mudar o critério de escolha, porque o critério de escolha é muito vulnerável. Acho que nós temos que criar um critério para envolver a sociedade civil para que a gente indicar alguém que não seja da vontade do presidente. Tem que ser alguém que passe por um crivo de um colegiado que a gente vai ter que pensar como criar para aquela pessoa não seja um cara indicado pelo presidente.”

Na mesma conversa ele voltou ao mandato. “Eu estou preocupado agora é com o critério de indicação. Estou preocupado com o mandato. O cidadão não pode ser ministro 40 anos, 45 anos, 35 anos.” Pediu também que a biografia de quem entra na Corte seja olhada “com muito mais cuidado”, para haver “linha de coerência e responsabilidade”. Não apresentou texto de emenda. Disse que o colegiado ainda precisa ser pensado. Na sexta, no Esfera Recebe, em São Paulo, ele já tinha chamado o que se vê no tribunal de podridão e dito que a sociedade teria de se manifestar sobre mandato perpétuo ou prazo.

Quem nomeou Cristiano Zanin e Flávio Dino agora diz, a sete dias da urna, que ministro não pode ser da vontade do presidente. A crise do Supremo empurrou o discurso. O colegiado que ele descreve ainda não existe. Os dois nomes que ele pôs na Corte estão lá. O afastamento, nesta reta, é de palavra. A caneta de indicação, enquanto a regra não muda, continua sendo a dele.