Durante reunião na cúpula do G7 na França, nesta quarta-feira (17/06/2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou explicitamente: “Eu nunca fui esquerdista”. A declaração foi feita em conversa com a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz (conservador).

Lula argumentou que o mundo “não é de esquerda”, mas “de meio”, citando que governos de direita permanecem mais tempo no poder. Ao ser lembrado de que sua eleição em 2003 gerou expectativa de um governo esquerdista, o petista rebateu: “Mas eu nunca fui esquerdista”. Ele mencionou sua trajetória como dirigente sindical com boas relações com o sindicalismo alemão, italiano e espanhol, e relembrou ter sido tratado como “anticomunista” nos anos 80 após recusar congresso na União Soviética.

TRAIÇÃO AO ELEITORADO DE ESQUERDA

A fala representa uma clara traição retórica ao espectro de esquerda que Lula diz defender há décadas. O PT construiu sua narrativa em torno do combate ao “neoliberalismo”, alianças com regimes de esquerda latino-americanos e discurso anti-imperialista. Agora, diante de figuras do establishment global como a chefe do FMI e um chanceler de direita alemão, Lula renega o rótulo que usa para mobilizar sua base mais radical.

CONTEXTO E CONTRADIÇÕES

A declaração reforça a percepção de pragmatismo oportunista do petista: radical na retórica doméstica para agradar militantes, moderado ou “de centro” quando busca interlocução internacional e investimentos. Durante o G7, Lula também criticou protecionismo (em recado indireto a Trump), mas priorizou sinalizações positivas a interlocutores de centro-direita.

A direita e os bolsonaristas veem na fala a confirmação de que Lula sempre foi um moderado de ocasião, usando o discurso esquerdista como instrumento de poder. Muitos bolsonaristas destacam a incoerência: o mesmo Lula que flerta com o Foro de São Paulo e regimes autoritários da esquerda agora se apresenta como “não esquerdista” para agradar mercados e líderes conservadores europeus.

IMPACTO POLÍTICO

O episódio pode gerar desconforto na base petista mais ideológica, que vê o governo Lula como continuidade de pautas progressistas. Ao mesmo tempo, expõe a fragilidade da narrativa lulista em um cenário internacional dominado por pragmatismo econômico, onde o petista tenta se reposicionar como estadista “do meio” enquanto o Brasil enfrenta desafios internos graves sob sua gestão.