O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega ao recesso parlamentar com pelo menos 23 derrotas consideradas relevantes no Congresso Nacional desde o início do terceiro mandato. O cenário para o segundo semestre é visto como ainda mais desafiador: o calendário eleitoral reduz o período de votações e dificulta o avanço de propostas prioritárias do Planalto, como a PEC que prevê a redução da jornada semanal para 40 horas e o fim da escala 6x1.

PAUTAS TRAVADAS E VETOS DERRUBADOS

Entre as matérias que ficaram pelo caminho estão o projeto de lei das fake news, a regulamentação do trabalho por aplicativo, a PEC da Segurança Pública e a reforma administrativa. Nos vetos, o Congresso derrubou o marco temporal de terras indígenas, o texto que mantinha a saidinha de presos, a proibição de verbas federais em pautas identitárias e, principalmente, o projeto de lei da dosimetria das penas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

DERROTAS POLÍTICAS E PERDA DE ESPAÇO

As derrotas políticas foram numerosas. O governo perdeu comissões estratégicas, não evitou a abertura da CPMI do 8 de janeiro, ampliou a concessão de emendas e teve um nome rejeitado na indicação ao Supremo Tribunal Federal — fato inédito em mais de 100 anos. O levantamento do Poder360 destaca que as dificuldades se mantiveram ao longo de todo o mandato, apesar das trocas de comando no Senado e na Câmara.

ISOLAMENTO DO PLANALTO

Um dos reflexos do desgaste é a ausência de reuniões oficiais de Lula com os presidentes da Câmara e do Senado e com líderes do Congresso durante todo o primeiro trimestre de 2026. Em igual período de 2025 haviam sido registrados três encontros. O recesso e o calendário eleitoral reduzem ainda mais o espaço para o governo recuperar terreno no Legislativo.

SEGUNDO SEMESTRE SERÁ AINDA MAIS DIFÍCIL

Com o recesso em andamento e as convenções partidárias se aproximando, o Planalto enfrenta um Congresso mais independente e um calendário que prioriza a disputa eleitoral. A articulação política do governo é apontada como um dos principais fatores para o saldo negativo, que se soma à menor taxa de aprovação de Medidas Provisórias desde 2003.