LINDBERGH FARIAS CHAMA GREEN CARD DE EDUARDO BOLSONARO DE “RECOMPENSA” POR ATUAÇÃO NOS EUA
Deputado do PT classifica autorização de residência permanente concedida pelo governo Trump como pagamento pelos serviços prestados na articulação de sanções contra o STF e no apoio às tarifas americanas. Eduardo, condenado pelo Supremo, diz que o benefício não é gesto político.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta segunda-feira (20) que a concessão do green card ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) configura uma “recompensa” pela atuação política do bolsonarista nos Estados Unidos. A declaração foi feita após a divulgação de que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu autorização de residência permanente no país, na categoria EB-1A (habilidades extraordinárias). Segundo Lindbergh, Eduardo atuou em defesa de interesses norte-americanos ao buscar apoio de autoridades dos EUA contra decisões de instituições brasileiras, citando articulações por sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal e o apoio às tarifas aplicadas pelo governo americano sobre produtos brasileiros. “Ele agora pode ficar lá, trabalhar, estudar. É uma recompensa pelos serviços prestados aos Estados Unidos”, afirmou o petista.
PETISTA LIGA GREEN CARD A SANÇÕES E TARIFAÇO
Lindbergh Farias, que protocolou em maio de 2025 a representação criminal que deu origem ao inquérito e à condenação de Eduardo no STF, reforçou nas redes e em declarações públicas que o documento americano seria uma espécie de pagamento por “tudo que Eduardo fez nesses últimos anos” no exterior. O parlamentar aliado do governo Lula disse que Eduardo pode permanecer nos EUA, construir vida normal e estudar, mas não deve retornar ao Brasil porque já está condenado e “será responsabilizado”. A fala repercutiu em veículos como a Jovem Pan, que exibiu a declaração no Jornal da Manhã.
STF CONDENOU EDUARDO POR COAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO
Em 16 de junho de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Eduardo Bolsonaro, por unanimidade, a quatro anos e dois meses de prisão (regime inicialmente semiaberto), além de multa e inelegibilidade por oito anos, pelo crime de coação no curso do processo. A decisão reconheceu que ele articulou junto a autoridades americanas sanções (incluindo tentativa de aplicação da Lei Magnitsky) e tarifas contra o Brasil com o objetivo de pressionar o Judiciário brasileiro durante o julgamento do pai. Eduardo reside nos Estados Unidos desde fevereiro/março de 2025 e alega perseguição política. A execução da pena depende de cooperação internacional e possível pedido de extradição, que os EUA analisarão sob critérios jurídicos e políticos.
GOVERNO LULA VÊ GESTO POLÍTICO DA GESTÃO TRUMP
Integrantes do governo brasileiro e do Itamaraty interpretam a concessão do green card como mais um favor da administração Donald Trump à família Bolsonaro, com olho na eventual eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência. Segundo a coluna de Bela Megale no O Globo, a leitura é de troca de “interesses nacionais” por “interesses pessoais”, especialmente após Flávio ter prometido, em eventos conservadores americanos, facilitar o acesso dos EUA a minerais de terras raras brasileiros e eliminar tarifas sobre etanol e açúcar. A orientação oficial, por enquanto, é tratar o caso como questão da Justiça.
EDUARDO NEGA QUE SEJA GESTO POLÍTICO
Em entrevista à coluna de Bela Megale, Eduardo Bolsonaro afirmou que não enxerga o green card como gesto político. Segundo ele, o processo demorou pouco mais de um ano e foi concedido na categoria de pessoas com “habilidades extraordinárias”. O documento permite que ele e a família permaneçam por tempo indeterminado nos EUA, podendo trabalhar e estudar sem necessidade de novos vistos. Aliados de Eduardo, como Paulo Figueiredo, teriam vinculado à solicitação junto à Casa Branca.
CONTEXTO ELEITORAL E RELAÇÃO BRASIL-EUA
A concessão ocorre em meio a tensões comerciais (novo tarifaço americano sobre produtos brasileiros) e à pré-campanha de 2026, na qual Flávio Bolsonaro é o principal nome do PL. Lindbergh Farias tem sido o principal articulado do PT na ofensiva judicial e política contra Eduardo desde 2025, com múltiplos pedidos de prisão preventiva, inclusão de Flávio e Jair no inquérito, bloqueio de salários e cassação de passaporte. A direita e bolsonaristas tratam a fala do petista como mais um ataque da esquerda a quem denuncia o que consideram ativismo judicial e perseguição política.

