O ministro Kassio Nunes Marques sinalizou a interlocutores que se arrependeu de ter cedido à pressão interna no Supremo Tribunal Federal e se declarado impedido de julgar Alexandre de Moraes, segundo a coluna de Paulo Cappelli no Correio da Manhã, publicada nesta terça-feira (29). Pela apuração, o pedido de vista de Flávio Dino, que empurrou o caso para depois da eleição, pode acabar abrindo caminho para que Kassio volte a votar e, se isso acontecer, a tendência é que ele acompanhe a ala liderada por André Mendonça, favorável ao início das investigações contra Moraes.

O movimento já vinha sendo desenhado. Em 22 de setembro, a Folha de S.Paulo informou que Kassio avaliava rever a decisão e participar, após as eleições, do julgamento sobre o relatório da Polícia Federal com as mensagens de Daniel Vorcaro a Moraes e dos demais processos do caso Master. A interlocutores, segundo o jornal, o ministro afirmou que só se afastou por receio de impacto eleitoral, por ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Na sessão de 15 de setembro, ele disse que não se sentia “confortável” para participar “na condição de presidente do TSE” e deixou o plenário.

O calendário ajuda. Dino pediu vista no mesmo dia 15 e, segundo a Folha, avalia devolver o caso só depois do segundo turno. Pelas regras do STF, a vista pode suspender o julgamento por até 90 dias, o que leva o prazo a dezembro, segundo O Globo e o g1. A sessão foi interrompida sem análise do mérito, com placar de 4 a 3 para manter separadas as apurações sobre Moraes e Mendonça. Passada a eleição, cai a justificativa usada por Kassio para não votar.

A ala de Moraes já reage. Segundo O Globo, a questão de ordem de 27 páginas apresentada por Gilmar Mendes foi vista nos bastidores como uma “vacina” para impedir que Kassio participe dos julgamentos sobre Moraes e Mendonça. No documento, o decano lista diálogos que citam o presidente do TSE e diz que ele precisa responder a “indagações” antes de o plenário seguir. Kassio afirmou em plenário que nunca julgou processo ligado ao Master e que seu filho nunca prestou serviço nem foi remunerado pelo banco. Segundo a coluna de Cappelli, alguns magistrados enxergam a pressão como alerta, outros como chantagem.