A coluna de Malu Gaspar no Globo registrou o efeito prático do impedimento do ministro Kassio Nunes Marques na sessão de terça-feira (15): André Mendonça perdeu um aliado no placar que decide se o Supremo abre investigação contra Alexandre de Moraes. Oficialmente, Kassio disse que, como presidente do TSE, não se sentia confortável a 18 dias da eleição. “Essa missão é mais importante.” Afirmou que sua isenção estaria nos votos que manteve a prisão de Daniel Vorcaro. Depois das mensagens do celular do banqueiro, desistiu de votar pela abertura do inquérito.

O Globo descreve duas citações no aparelho de Vorcaro. Numa, o banqueiro teria pago R$ 10 mil para que uma garota de programa dormisse com o magistrado. Noutra, o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, trata com Vorcaro um pagamento mensal de R$ 500 mil a Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro e advogado. O Estadão mostrou R$ 6,6 milhões do Master à Consult, empresa que pagou Kevin entre agosto de 2024 e julho de 2025. Kevin afirmou que o Coaf não localizou a parcela de R$ 500 mil e que o trabalho para a Consult não tem relação com o STF. Kassio repetiu no plenário que o filho nunca advogou para o Master.

O voto que saiu da urna era o que Mendonça precisava para não ficar sozinho diante de Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e do próprio Moraes. Toffoli também se declarou suspeito. A defesa de Vorcaro já anunciou que usará o impedimento de Kassio para atacar os votos que prenderam o banqueiro na Segunda Turma. O ministro saiu em nome do TSE. O celular ficou. O placar da investigação contra Moraes perdeu um nome — e ganhou o argumento de que o aliado de Mendonça só se afastou quando o print chegou à mesa.