KASSIO NUNES MARQUES VOOU EM JATINHO DE ADVOGADO DE CLÁUDIO CASTRO
Ministro do STF admite ter pegado carona ao menos cinco vezes em avião particular de defensor do ex-governador do Rio, levantando debates sobre a proximidade entre a Corte e advogados.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, admitiu ter realizado ao menos cinco viagens no jatinho particular do advogado Gustavo Severo, que atuou na defesa do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. As informações foram reveladas em reportagem da Folha de S.Paulo e confirmadas pela CNN Brasil em 4 de abril de 2026, detalhando que as viagens ocorreram ao longo do ano passado. O caso traz à tona novas discussões sobre os limites da proximidade entre membros da cúpula do Judiciário e advogados com causas relevantes nos tribunais superiores de Brasília.
RELAÇÃO DE AMIZADE E VOTO FAVORÁVEL
Segundo apuração do jornalista Mateus Teixeira, da CNN Brasil, o ministro Kassio Nunes Marques confirmou, por meio de nota oficial, que mantém uma relação de amizade com Gustavo Severo. O ministro destacou que se declara suspeito para julgar qualquer processo em que o advogado figure diretamente como parte. No entanto, no julgamento que analisou a cassação de Cláudio Castro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Severo não atuou formalmente na causa. Naquela ocasião, Nunes Marques proferiu um dos dois votos favoráveis à manutenção do mandato do ex-governador, embora a maioria de 5 a 2 tenha decidido pela cassação de Castro.
O PERFIL DO ADVOGADO E O USO DO AVIÃO
Gustavo Severo é descrito como um dos advogados mais influentes e atuantes na área eleitoral em Brasília, com trânsito frequente tanto no TSE quanto no STF. De acordo com a reportagem, ele é o proprietário da aeronave utilizada pelo ministro nas "caronas". Em sua defesa, o ministro afirmou que "não há qualquer irregularidade" nas viagens, reforçando que o fato de serem amigos é público e que sua conduta processual de se declarar suspeito em casos diretos de Severo garante a imparcialidade necessária.
IMPLICAÇÕES ÉTICAS E PRESSÃO NO JUDICIÁRIO
O episódio ocorre em um momento de forte escrutínio público sobre a conduta de magistrados das cortes superiores. Para críticos do atual sistema, a circulação de ministros em bens privados de advogados que possuem interesses em processos correlatos pode gerar conflitos de interesse, mesmo que indiretos. A defesa de princípios liberais e a transparência nas instituições exigem que o Judiciário se mantenha equidistante de influências que possam comprometer a percepção de justiça pela sociedade brasileira, especialmente em casos que envolvem figuras políticas de alto escalão.
O QUE PODE ACONTECER A SEGUIR
Até o momento, não há confirmação oficial de que órgãos de controle, como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), abrirão investigação sobre o caso. A tendência é que a repercussão política aumente no Congresso Nacional, onde parlamentares da oposição costumam questionar a proximidade excessiva entre o Judiciário e grandes bancas de advocacia. A manutenção da credibilidade das instituições depende da clareza com que esses episódios são explicados à população, evitando que pairam dúvidas sobre a isenção dos votos proferidos nas mais altas instâncias do país.
Limite diário atingido
Você atingiu seu limite diário de três notícias, faça seu cadastro para ver mais notícias.


