Associações de juízes de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul manifestaram repúdio às declarações de Flávio Dino na sessão extraordinária de terça-feira (15), quando o ministro do Supremo afirmou que o país atravessa o momento mais corrupto da história do Judiciário. A Gazeta do Povo registrou as notas nesta quarta. Não foi o Tribunal de Justiça de Santa Catarina que se pronunciou como corte: foi a Associação dos Magistrados Catarinenses, presidida pela juíza Janiara Maldaner Corbetta, e a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul. As entidades classificaram a frase como generalização.

A AMC escreveu que situações isoladas não podem ser projetadas sobre toda a magistratura e sugeriu que o discurso desvia o foco de uma crise restrita à cúpula em Brasília. Segundo a nota, juízes catarinenses atuam com independência e ética, e a generalização fragiliza a confiança da população no trabalho de quem julga longe das câmeras da TV Justiça. A fala de Dino saiu no mesmo plenário em que ele pediu vista, interrompeu o julgamento sobre Alexandre de Moraes e chamou a sessão de degradante para a imagem do tribunal. O ministro que descreveu corrupção histórica é o mesmo que reconduziu Andrei Rodrigues à PF e relata o Dark Horse.

O Supremo discute o próprio ministro. O interior responde que a toga de comarca não é a toga de Brasília. Dino quis pintar o Judiciário inteiro com a crise do Master; as associações devolveram o quadro para o plenário que xingou colega e riu na saída. A nota de Santa Catarina não investiga Vorcaro e não abre inquérito. Faz o recorte que o ministro evitou: se há o momento mais corrupto, ele está na cúpula que o país viu na terça — não no juiz que assina sentença no interior. A AMC e a Ajuris assinaram. O STF ainda deve a resposta à própria frase.