O desenhista baiano João Pedro de Oliveira Mercês, de 23 anos, que se apresenta como autista e ficou conhecido por retratar políticos e celebridades, declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno em vídeo publicado em seu perfil @joaoensina e reproduzido nesta quinta-feira (15) pelo BPB Notícias. Na gravação, ele diz que rompeu com o PT em maio por ter se cansado de ser usado, sobretudo pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), a quem não cita pelo nome, e afirma que o título de Embaixador do Autismo foi dado "só de boca pra fora", sem que ele jamais fosse chamado para uma reunião. "Eu cansei de promessas não cumpridas", declarou.

João Pedro ganhou projeção em fevereiro de 2023, quando, com a ajuda de Jerônimo, encontrou Lula na Bahia, numa quarta-feira, e entregou ao presidente três desenhos, segundo o Brasil 247, site para o qual desenhava. O retrato de Lula com o neto Arthur, que ele diz ter emocionado o presidente, foi feito em 2019, conforme o próprio artista contou ao Farol da Bahia. No dia seguinte ao encontro, o governador anunciou em entrevista que o jovem seria embaixador do autismo no estado e prometeu criar um centro de referência em autismo, de acordo com o Redação Bahia, embora a Bahia já mantivesse desde 2016 um Centro de Referência Estadual para Pessoas com TEA, segundo a Secretaria da Saúde. Em abril deste ano, João Pedro deixou o PT e se filiou ao PSD para tentar uma vaga de deputado federal e, em maio, segundo o Noticiário Baiano, chamou a gestão de Jerônimo de "desgoverno" e anunciou apoio a ACM Neto (União Brasil) ao governo baiano.

Para justificar a escolha no segundo turno, ele diz ter lido o programa de governo de Flávio, que, segundo ele, prevê "construir centros de referência para os autistas e pessoas com deficiência", algo que afirma nunca ter visto o PT fazer. O plano registrado pelo candidato no TSE de fato menciona a implantação de Centros de Referência em Transtorno do Espectro Autista, mas, como apontou a Folha de S.Paulo, não detalha número de unidades, prazo ou custo, e a campanha diz que as metas serão definidas na transição. O governo da Bahia não havia respondido publicamente às críticas do desenhista até a noite desta quinta-feira.