A Polícia Federal reforçou as suspeitas contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, na Operação Compliance Zero. De acordo com a investigação, o petista atuou em três frentes distintas no Senado para beneficiar o Banco Master, de Daniel Vorcaro, incluindo defesa de propostas que ampliavam a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), peça central da estratégia de captação do banco.

A informação consta em reportagem do Estadão e reforça os indícios de que Wagner usou seu mandato para atuar em favor de interesses privados do grupo investigado por fraudes financeiras bilionárias, corrupção e lavagem de dinheiro.

ATUAÇÃO PARLAMENTAR SUSPEITA

Segundo a PF, Wagner manteve interlocução direta com empresários ligados ao Master durante a tramitação de medidas de interesse da instituição. As frentes incluem emendas a medidas provisórias sobre crédito consignado, ampliação do FGC e acompanhamento de fiscalizações sobre a aquisição do banco. Essas ações teriam facilitado a captação de recursos por meio de um esquema que culminou na liquidação da instituição pelo Banco Central.

A operação já acumula várias fases com apreensões significativas, incluindo a recente de US$ 49 mil em espécie e relógios de luxo em endereço vinculado a Wagner em Brasília.

PADRÃO PETISTA DE PROTEÇÃO E INFLUÊNCIA

O PT saiu em defesa imediata de Wagner, declarando “total confiança” no senador. Esse comportamento é recorrente na legenda quando quadros importantes são envolvidos em escândalos: negação sistemática seguida de ataques à PF e ao Judiciário, enquanto a população sofre com os efeitos da corrupção endêmica. A proximidade de Wagner — um dos principais nomes do PT baiano e do governo federal — com o caso Master escancara como o poder petista se entrelaça com interesses financeiros questionáveis.

REAÇÃO DA DIREITA E CONSEQUÊNCIAS PARA O GOVERNO LULA

Para a direita e bolsonaristas, o caso representa mais uma prova da captura do Estado pelo PT. Enquanto o governo tenta posar de combativo contra a corrupção, seu principal líder no Senado aparece envolvido em esquema de grande proporção. A investigação ganha relevância ainda maior em ano eleitoral e pode desgastar a imagem de Lula, que já acumula desgastes em outras frentes.

A falta de manifestação imediata da defesa de Wagner sobre os novos detalhes da PF alimenta especulações e reforça a percepção de que o esquema era protegido por influência política no alto escalão.