O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou o cargo de líder do governo no Senado Federal. A decisão foi comunicada após conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada. Em postagem nas redes, Wagner afirmou que a prioridade agora é provar sua inocência, dedicar-se à reeleição de Lula, do governador Jerônimo Rodrigues e à própria reeleição ao Senado ao lado de Rui Costa.

A saída acontece menos de uma semana após Wagner ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro. A 9ª fase da operação resultou em apreensões de US$ 55 mil em espécie, 33,5 mil euros e mais de 10 relógios.

PRESSÃO INTERNA E DEFESA

Integrantes do PT e do governo defendiam a saída de Wagner para evitar contaminação da campanha de reeleição de Lula. Apesar da resistência inicial, o senador acatou a decisão em comum acordo com o presidente. Além de Wagner, o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, também foi alvo.

Até então, a operação atingia principalmente nomes da centro-direita, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no caso relacionado ao filme Dark Horse.

ANÁLISE EDITORIAL

O envolvimento de Jaques Wagner, figura histórica do PT, mostra que a Operação Compliance Zero não poupa aliados do governo. Para a oposição e conservadores, o caso reforça suspeitas de corrupção sistêmica no entorno petista, especialmente com ligação ao Banco Master, já citado em outros desdobramentos envolvendo o STF e investigações como o Caso Master.

A saída da liderança é uma tentativa de dano controlado, mas expõe fragilidades do governo Lula às vésperas de 2026. A direita observa com atenção: enquanto o PT tenta blindar sua imagem, operações da PF continuam revelando conexões perigosas. A prioridade declarada de Wagner em provar inocência indica que o escândalo ainda renderá capítulos.