JAQUES WAGNER ALVO DE BUSCAS DA PF NO CASO MASTER DIZ QUE COM A AJUDA DE LULA "NADA VAI ACONTECER"!
Líder do governo Lula no Senado foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (18). PF investiga se o petista recebeu vantagens indevidas, como apartamento de R$ 2,5 milhões e repasses a familiar, em troca de atuação parlamentar favorável ao Banco Master. Declarações do senador invocando amizade de 45 anos com Lula geram perplexidade no Planalto.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18 de junho de 2026) a 9ª fase da Operação Compliance Zero e cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. A investigação apura se o parlamentar recebeu vantagens indevidas do grupo econômico ligado ao Banco Master, incluindo um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões e repasses financeiros a empresa de familiar, em suposta contrapartida por atuação no Congresso em temas de interesse do banco.
PF APONTA ATUAÇÃO PARLAMENTAR EM FAVOR DO BANCO
Segundo a PF, Jaques Wagner teria atuado em pautas relevantes para o Master, como a chamada “Emenda Master” (inserida na PEC 65/2023, que ampliaria limites do Fundo Garantidor de Créditos), assuntos relacionados ao crédito consignado e a possível aquisição do banco pelo BRB (barrada pelo Banco Central). Os investigadores identificaram o senador como “beneficiário central” de vantagens, com indícios de proximidade com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro./i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2026/9/W/AtqR5XTMymSAMRBHNZMw/augusto-lima-banco-pleno.avif)
Entre os benefícios citados estão uso de aeronaves, ingressos para camarote em show internacional em Los Angeles (avaliados em cerca de R$ 63 mil) e pagamentos à empresa BK Financeira, ligada à esposa do enteado de Wagner. A operação, autorizada pelo ministro André Mendonça do STF, cumpriu 18 mandados em Bahia, São Paulo e Distrito Federal.
REAÇÃO INTERNA NO GOVERNO E DECLARAÇÕES POLÊMICAS
A jornalista Natuza Nery, na Central GloboNews, trouxe apuração de que a declaração de Jaques Wagner — invocando a amizade de 45 anos com Lula como garantia de que “nada vai acontecer” — gerou forte desconforto no Planalto. Integrantes do governo classificaram a fala como “quinta categoria” e “fim da picada”, pois o senador teria falado sem autorização prévia do presidente após ligação telefônica. Lula teria questionado a conduta de Wagner, que não consultou o mandatário antes da entrevista.
PT SAI EM DEFESA DO SENADOR
O PT emitiu nota de apoio, afirmando que Jaques Wagner tem “toda a nossa confiança” e que o partido apoia as apurações para que a verdade seja esclarecida. Wagner ainda não se manifestou publicamente sobre os mandados desta quinta. Em ocasiões anteriores, o senador negou qualquer irregularidade e disse repudiar as “falcatruas” do Banco Master.
CONTEXTO DO CASO MASTER
O Banco Master, de Daniel Vorcaro, está no centro de um esquema bilionário de fraudes financeiras, títulos falsos e gestão temerária. A Operação Compliance Zero já teve várias fases, com prisões e buscas. A ligação de Wagner com o caso remonta a contatos anteriores, incluindo a venda da Cesta do Povo na Bahia, origem do Credcesta, ativo explorado pelo grupo.
IMPACTO POLÍTICO NO GOVERNO LULA
A operação atinge diretamente o núcleo do governo no Senado e expõe fragilidades da base aliada. Para a direita e bolsonaristas, o caso reforça o padrão de promiscuidade entre poder público e interesses privados no PT, especialmente na Bahia, reduto histórico do partido. A proximidade de Wagner com Lula — historicamente tratada como blindagem — agora é usada pelo próprio senador como argumento público, o que gera mal-estar interno e munição para a oposição.

