JANJA GANHA AGENDA PRÓPRIA NA CAMPANHA DE LULA E MIRA SUL, SUDESTE E CENTRO-OESTE
Primeira-dama terá compromissos com e sem o presidente, começa em Belo Horizonte no dia 29 com ato voltado às mulheres e prioriza combate ao feminicídio e regulação das redes sociais. Estratégia busca reforçar presença petista em regiões de maior dificuldade eleitoral.
A primeira-dama Rosângela Silva, conhecida como Janja, terá agenda própria durante a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo apuração do Blog da Farfan no R7, ela deve concentrar parte de sua atuação no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, regiões consideradas mais desafiadoras para o petista. A programação inclui viagens ao lado de Lula e compromissos sem a presença do presidente. Um dos primeiros atos está marcado para o sábado, 29 de agosto, em Belo Horizonte, onde ela participa, junto com Lula, de uma mobilização voltada às mulheres.
ESTRATÉGIA FOCA REGIÕES ONDE LULA TEM MAIOR DIFICULDADE
A decisão de dar protagonismo a Janja com agenda paralela foi confirmada por fontes da campanha e pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva. Ele afirmou que a primeira-dama já integra o time da campanha, tem viajado por estados e liderado debates sobre feminicídio e violência contra a mulher. A CNN Brasil e o Correio Braziliense publicaram reportagens no mesmo sentido nesta quarta-feira (19), destacando que Janja, mesmo sem cargo formal na estrutura eleitoral, participa de reuniões estratégicas, interlocuções com o marqueteiro Raul Rabelo e organização de eventos.
O foco no Sul, Sudeste e Centro-Oeste não é casual. São as regiões onde o petismo historicamente enfrenta maior resistência e onde a rejeição a Lula costuma ser mais elevada. A aposta é usar a primeira-dama para tentar engajar o eleitorado feminino nessas áreas.
ATO EM BELO HORIZONTE ABRE A OFENSIVA ENTRE MULHERES
No dia 29 de agosto, Lula e Janja participam de encontro com mulheres na capital mineira. Janja está à frente da organização do evento, tratado como prioritário pela campanha. Nos últimos dias ela manteve reuniões com coletivos femininos para definir detalhes. O local previsto é a Serraria Souza Pinto, no centro de Belo Horizonte.
A escolha de Minas Gerais como ponto de partida reforça a leitura de que a campanha quer trabalhar território competitivo desde o início do período oficial.
PAUTAS FEMININAS E REGULAÇÃO DAS REDES NO CENTRO DA ATUAÇÃO
A atuação de Janja deve priorizar temas ligados às mulheres, com destaque para o enfrentamento ao feminicídio e à violência de gênero. A regulação das redes sociais também entra na lista de assuntos que ela abordará. A primeira-dama já vinha defendendo publicamente maior controle sobre plataformas, inclusive pedindo medidas restritivas contra o Discord em episódios recentes.
Além dos eventos presenciais, ela deve gravar vídeos ao lado de candidatas ao Congresso Nacional, ampliando o alcance da campanha para além dos atos de Lula.
PROTAGONISMO CRESCE MESMO SEM CARGO FORMAL
Janja não ocupa função oficial no organograma da campanha, mas sua presença aumentou de forma visível. Ela participa de discussões na sede nacional do PT, mantém interlocução com a cúpula e já discursa em atos do partido. No lançamento oficial da campanha, em São Bernardo do Campo, ela teve participação de destaque, inclusive no lançamento do jingle.
A maior exposição ocorre apesar de resistências internas no PT registradas em reportagens. Ainda assim, conta com o apoio do próprio presidente e de setores da direção partidária.
CAMPANHA PRECIFICA REJEIÇÃO E APOSTA NO ELEITORADO FEMININO
Pesquisas recentes apontam que a rejeição a Janja é elevada fora do campo da esquerda. A campanha, no entanto, avalia que o engajamento dela pode ajudar a recuperar votos entre mulheres, segmento considerado prioritário. A aposta é transformar a primeira-dama em porta-voz preferencial desse eleitorado, com agenda própria e pautas específicas.
Para a oposição e setores conservadores, a estratégia confirma o uso político da figura da primeira-dama e a tentativa de ampliar o controle sobre o debate nas redes sociais sob o pretexto de combate à violência. A atuação de Janja em temas de regulação digital reforça essa leitura crítica.

