JUSTIÇA DE SÃO PAULO DECRETA INTERDIÇÃO CIVIL DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO POR AVANÇO DO ALZHEIMER
Aos 95 anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve decretada a interdição civil pela Justiça paulista devido ao agravamento da doença de Alzheimer. A responsabilidade sobre seus atos civis, financeiros e patrimoniais passa para o filho Paulo Henrique Cardoso, nomeado curador provisório.
A Justiça de São Paulo determinou a interdição civil do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 95 anos, em razão do avanço do Alzheimer em estágio avançado. A decisão, proferida em 15 de abril de 2026, atende a pedido dos filhos e transfere a administração de seus atos civis, finanças e patrimônio para o filho mais velho, Paulo Henrique Cardoso, que já exercia função similar por procuração. A medida é provisória e o processo tramita em segredo de Justiça, com acompanhamento do Ministério Público.
CONTEXTO E HISTÓRICO
Fernando Henrique Cardoso foi um dos principais articuladores do Plano Real, que estabilizou a economia brasileira após anos de hiperinflação nos governos anteriores. Eleito presidente em 1994 e reeleito em 1998 pelo PSDB, governou o país entre 1995 e 2002, período marcado por privatizações, abertura econômica e consolidação da democracia pós-ditadura militar. Nos últimos anos, afastado da vida pública ativa, seu quadro de Alzheimer se agravou, levando a família a buscar a medida judicial para proteger seu patrimônio e garantir o cuidado adequado.
PERSONAGENS E ENVOLVIDOS
- Fernando Henrique Cardoso (95 anos): ex-presidente da República (1995-2002), sociólogo e ex-ministro da Fazenda.
- Paulo Henrique Cardoso: filho mais velho, nomeado curador provisório, responsável pela gestão patrimonial e atos civis.
- Luciana Cardoso e Beatriz Cardoso: filhas que apoiaram o pedido de interdição.
- Justiça de São Paulo: responsável pela decisão liminar.
- Ministério Público: acompanha o processo.
- Fundação FHC: entidade ligada ao ex-presidente, que preferiu não comentar o assunto por se tratar de foro íntimo.
REAÇÕES
A família não se manifestou publicamente além da nota confirmando a decisão judicial. Nas redes sociais, especialmente entre bolsonaristas e setores da direita, as reações misturam compaixão pela doença com críticas duras ao legado de FHC, citando privatizações, influência do Consenso de Washington e o que consideram entrega de patrimônio nacional. Muitos lembram que, apesar da doença, “a população não esquece” os impactos de seu governo. A grande imprensa tratou o caso de forma majoritariamente respeitosa, focando no aspecto humano e na explicação jurídica da interdição.
CONSEQUÊNCIAS
Com a interdição, FHC perde a capacidade legal de praticar atos civis sozinho. Todas as decisões financeiras, contratuais e patrimoniais passam a depender da aprovação do curador. A medida protege o patrimônio do ex-presidente de eventuais riscos decorrentes da perda cognitiva, comum em estágios avançados do Alzheimer, onde o paciente pode esquecer fatos importantes da própria vida, incluindo cargos ocupados.
POSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS
O processo de interdição definitiva ainda pode ter fases de contestação, embora haja consenso familiar. O caso reacende debates sobre o envelhecimento de figuras públicas e o fim de ciclo de lideranças da redemocratização. Para a direita brasileira, serve como lembrete das diferenças profundas com o tucanismo, que muitos veem como responsável por pavimentar o caminho para o petismo nos anos seguintes.

