Governo Lula autoriza general venezuelano sancionado pelos EUA como adido militar em Brasília
Ministério da Defesa deu aval a Luis Gerardo Reyes Rivero, acusado de repressão pós-eleitoral na Venezuela; Itamaraty confirma e admite ausência de precedentes
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o general venezuelano Luis Gerardo Reyes Rivero a exercer a função de adido militar na embaixada da Venezuela em Brasília. O oficial da Guarda Nacional Bolivariana foi sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos em 27 de novembro de 2024.
A OFAC o incluiu na lista de nacionais especialmente designados por participação na repressão violenta a manifestações após as eleições presidenciais venezuelanas de julho de 2024. Washington acusa Reyes Rivero e outros militares de apoiar ordens de Maduro para reprimir a sociedade civil, efetuar prisões arbitrárias e agir contra manifestantes, incluindo menores.
O Ministério da Defesa, comandado por José Múcio, informou ao Itamaraty que não havia óbice à concessão do beneplácito. O chanceler Mauro Vieira comunicou a decisão à Embaixada da Venezuela e, em resposta a requerimento da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, afirmou que o Itamaraty apenas tramita o processo e comunica o resultado da análise da Defesa.
O próprio Itamaraty informou que pesquisas nos arquivos não localizaram precedentes de concessão de beneplácito a adidos militares estrangeiros em situação semelhante. O Brasil tradicionalmente não aplica automaticamente sanções unilaterais de outros países, reconhecendo apenas as aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU.
A nomeação coloca em evidência a política externa brasileira em relação ao regime chavista. Enquanto o governo invoca a defesa da democracia e dos direitos humanos em outros contextos, a aceitação de um militar sancionado por repressão política alimenta acusações de tolerância diplomática com aliados ideológicos.
Reyes Rivero já obteve o sinal verde formal e está autorizado a assumir o posto na representação venezuelana em Brasília. O episódio ocorre em meio a tensões regionais e ao escrutínio internacional sobre a situação de direitos humanos na Venezuela.

