GILMAR PEDE PENTE-FINO EM PRECATÓRIO NO DIA EM QUE ACUSA MENDONÇA DE JOGAR COM O CAOS
O ofício a Fachin usa o crédito do Master como exemplo e o próprio Mendonça já disse que o encontro com Vorcaro tratou desse papel
Gilmar Mendes mandou nesta segunda (28) ofícios a Edson Fachin, presidente do STF e do CNJ, e a Luis Felipe Salomão, presidente do STJ, pedindo pente-fino na emissão e na negociação de precatórios. O R7 registrou o pacote: correição extraordinária nos tribunais regionais federais, suspensão da expedição antecipada desses títulos e abertura de apurações disciplinares e criminais. A Gazeta do Povo detalhou o exemplo que Gilmar chama de mais eloquente. É o precatório do setor sucroalcooleiro, de interesse de Daniel Vorcaro. Um contrato de até R$ 427 milhões, honorários de 5% em 12 processos que poderiam chegar a cerca de R$ 8,5 bilhões, com o escritório de Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do TRF-1. Assessores de Vorcaro associavam o casal à expressão “Turma do KN”, lida como referência a Kassio Nunes Marques. A posição favorável a Vorcaro venceu com os votos de Nunes Marques, Dias Toffoli e do próprio Fachin. A AGU estimou o conjunto das ações do setor em R$ 145 bilhões.
No mesmo dia, Gilmar formalizou a questão de ordem em que acusa André Mendonça de “inequívoco viés político-eleitoral” e de “jogar com o caos”. Escreveu que o relator do Master esperou o período eleitoral para produzir o relatório que atingiria Alexandre de Moraes, levantou o sigilo antes do plenário e tentou impor à Corte um fato consumado pela opinião pública. A frase é dele: “Só que aqui não há covardes. Os fatos serão apurados, todos eles e de todos.” O ofício dos precatórios não precisa repetir o nome de Mendonça. O tema do encontro já está na nota do próprio gabinete, de 2 de setembro. Mendonça disse que recebeu Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do banqueiro, antes de virar relator do Master, e que se limitou a ouvir. O assunto, segundo ele, foi a Suspensão de Tutela Provisória 976, créditos de precatório de interesse do banco, então sob pedido de vista.
São dois papéis na mesma segunda. Num, Gilmar chama o relator de quem manipula o tempo da investigação. No outro, pede a Fachin para varrer o crédito que foi a pauta do único encontro que Mendonça admitiu. O exemplo escrito no ofício mira a órbita de Kassio e um voto do qual Fachin participou. O mapa, lido junto com a acusação do mesmo dia, chega em Mendonça sem que Gilmar precise escrever a reunião. O pente-fino que ele quer começa no precatório. A explicação que Mendonça deu para sentar com Vorcaro também começa no precatório.

