Flávio Bolsonaro ligou as ameaças de morte ao anúncio de que, eleito, vai classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas. Na live da madrugada de 16 de agosto, a frase registrada pelo Estadão foi esta: “Foi só eu dizer que vou classificar PCC, CV e milícias como organizações terroristas, já recebi mais de mil e oitocentas ameaças de morte.” A equipe disse que 30 desses registros viraram investigação da Polícia do Senado, que faz a segurança dele em Brasília e nas viagens. Ele afirmou que os agentes levaram à delegacia uma pessoa que planejava um ataque em Juiz de Fora no dia 17. Dois dias depois, na caminhada do Betânia, em Belo Horizonte, ao lado de Nikolas Ferreira, repetiu que estava de colete e que teve de reforçar a escolta.

O número maior já estava na nota da campanha de 22 de julho, com base num levantamento da inteligência da Polícia do Senado. Eram mais de 2 mil registros contra a vida e a integridade física, divididos assim: 868 ameaças explícitas, 647 incitações à violência, 640 referências codificadas e 133 conteúdos de planejamento ou de oportunidade de ataque. A resposta foi colete à prova de balas todos os dias, escolta ampliada e um centro de comando permanente. No texto que publicou naquele dia, Flávio escreveu: “A minha luta é por vocês. E é por causa dessa luta que estou usando colete à prova de balas todos os dias.”

A promessa não saiu do discurso. Em 22 de setembro, em São Luís, ele disse que a partir de janeiro declara guerra ao narcotráfico, classifica as três organizações e constrói cinco presídios federais chamados Treva. No dia 23, anunciou que o Brasil entra no Escudo das Américas, a coalizão de Trump. Os Estados Unidos já listaram PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras, e em 22 de setembro, em Nova York, 14 governos do continente assinaram declaração que inclui as duas. Quem anda de colete nesta reta final é o candidato que pôs o nome das facções nessa lista.