O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, encaminhou à Advocacia-Geral da União (AGU) informações para fortalecer o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) à Itália. A medida, assinada na noite de terça-feira (23), refere-se à condenação por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma, ocorridos às vésperas das eleições de 2022.

DECISÃO DE GILMAR E CONTEXTO DA EXTRADIÇÃO

Gilmar destacou que Zambelli foi condenada pelo plenário do STF por ampla maioria e que, caso extraditada, cumprirá pena em estabelecimento adequado. A ação ocorre antes do julgamento na Corte de Cassação de Roma, em 1º de julho, sobre o segundo pedido de extradição. Zambelli recorreu de decisão anterior favorável à extradição.

A ex-deputada está em liberdade desde maio, após a Justiça italiana negar extradição em processo relacionado à invasão dos sistemas do CNJ, onde foi condenada a 10 anos e 8 meses. Os italianos citaram suposta parcialidade do ministro Alexandre de Moraes, apontando que ele atuaria como “juiz e vítima”.

CRÍTICA AO ATIVISMO JUDICIAL

Para a direita conservadora e bolsonarista, o caso Zambelli simboliza a perseguição política contra opositores. A condenação por fatos de 2022, em meio a clima eleitoral tenso, é vista como desproporcional e motivada politicamente. A insistência na extradição reforça a narrativa de uso do Judiciário para calar vozes conservadoras.

REAÇÃO E DESDOBRAMENTOS

Zambelli, figura ativa na defesa de valores tradicionais e liberdade, mantém apoio significativo no campo bolsonarista. O envio de garantias por Gilmar ocorre em momento de questionamentos crescentes sobre imparcialidade no STF, especialmente de ministros como Moraes e o próprio Gilmar.

O caso segue em aberto na Itália. Qualquer decisão favorável à extradição será interpretada como vitória do ativismo judicial brasileiro, enquanto negativa reforçará críticas à parcialidade.