O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, criticou a condução do Tribunal Superior Eleitoral durante as eleições de 2026. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que se espera de quem está à frente do órgão uma postura de árbitro equidistante, como prevê a Constituição.

Sem citar nomes diretamente, a crítica foi interpretada como direcionada ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. Gilmar destacou que “silêncios e hesitações não são neutros” e podem abrir espaço para decisões contraditórias ou servir de pretexto para ataques ao sistema eleitoral.

O magistrado elogiou a atuação do colegiado do TSE, que, segundo ele, assegurou que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro ocorresse dentro das regras. No entanto, reforçou que a institucionalidade não deveria precisar ser resgatada a cada eleição e que a solidez do processo não pode depender apenas da força do colegiado.

A eleição de 2026 foi marcada por alta polarização, com acusações mútuas entre as campanhas e questionamentos sobre a atuação da Justiça Eleitoral. Críticos de diferentes lados apontaram favorecimentos ou interferências. Gilmar, conhecido por posições duras em temas institucionais, usou o momento pós-pleito para cobrar mais firmeza e transparência da presidência da Corte.

A declaração ocorre em um contexto de tensões internas no STF e no TSE. Nos últimos meses, houve trocas de críticas entre ministros, incluindo bloqueios em aplicativos de mensagens e discussões públicas sobre a condução de processos. A mensagem de Gilmar reforça a ideia de que a condução individual do TSE precisa de maior equidistância para preservar a confiança no sistema.