O ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, indeferiu neste sábado (3) a candidatura de Deltan Dallagnol, do Novo, ao Senado pelo Paraná. A decisão é monocrática, saiu na véspera do primeiro turno e derruba o TRE do Paraná, que tinha liberado o registro por 4 votos a 3. A Procuradoria-Geral Eleitoral tinha opinado por manter a candidatura. Floriano mandou o tribunal regional marcar o registro como indeferido na hora e anular os votos. O nome e o número de Deltan continuam na urna, porque as máquinas já foram lacradas. Quem votar nele neste domingo (4) teria o voto contado como nulo, se a ordem de sábado tivesse ficado de pé. O ministro descartou eleição nova. O caso ainda vai ao plenário do TSE, a cargo do presidente Kassio Nunes Marques, mas não dava tempo de valer para este pleito. A decisão, naquela hora, já produzia efeito.

O argumento é o de 2023, quando o TSE cassou o registro de Deltan a deputado federal e ele perdeu o mandato. Em novembro de 2021, ainda procurador, ele pediu exoneração do Ministério Público Federal no meio de processos disciplinares da Lava Jato que podiam acabar em punição grave. O tribunal entendeu que a saída serviu para escapar da inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa. Floriano escreveu que fatos posteriores não mudam o que o TSE viu naquele momento, e que o TRE do Paraná não podia reler os mesmos fatos sem uma mudança real. O Tempo registrou que essa inelegibilidade, reconhecida há três anos, vai até 2029. O indeferimento pegava também os suplentes, Professor Picler, do PL, e Markenson dos Santos, do Novo. Deltan estava na chapa do senador Sérgio Moro, candidato ao governo do Paraná.

Deltan respondeu na noite de sábado, nas redes, com a frase “Continuo candidato! Vamos vencer!”. O advogado Jeffrey Chiquini afirmou ter descoberto que a decisão contra Deltan já estava pronta desde 15 de setembro. A coluna de Ramiro Brites, no Metrópoles, relatou que integrantes do Novo se organizam em conversas de WhatsApp para se reunir em frente ao prédio da zona oeste de São Paulo onde Floriano mora.

Na manhã deste domingo, Kassio suspendeu os efeitos da decisão de Floriano. O registro voltou à condição de deferido com recurso. Os votos serão apurados e a validade fica para o plenário. A anulação automática de sábado à noite não está mais valendo.