Pablo Marçal foi barrado do debate pelo TSE, mas promete aparecer — e uma movimentação da campanha de Flávio Bolsonaro abriu uma possibilidade capaz de virar o confronto da Band de cabeça para baixo. Segundo o Metrópoles, auxiliares do senador retiraram as credenciais destinadas ao PL mesmo com a expectativa de que Flávio não participe. Cada candidato dispõe de cinco acessos ao estúdio e dez para uma sala auxiliar, o que levou campanhas adversárias a suspeitarem que uma dessas vagas poderia colocar Marçal dentro da emissora.

Não existe confirmação de que Flávio tenha combinado a manobra. Questionado, Marçal afirmou que pretende usar uma credencial própria e aposta numa liminar para entrar no debate. Se não conseguir, cogita fazer uma manifestação diante dos estúdios. Sua simples presença na plateia já mudaria o clima: conhecido por provocações rápidas, confrontos imprevisíveis e enorme capacidade de transformar episódios em cortes virais, ele poderia deslocar toda a atenção de Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema para o que acontecesse fora dos púlpitos.

O limite jurídico será decisivo. A ordem do TSE impede Marçal de participar dos debates; uma credencial de convidado não poderia servir como atalho para atuação equivalente à de candidato. A mera presença no prédio, porém, dependeria do alcance da decisão e das regras de segurança da Band. Entre a liminar esperada, a hipótese de credenciamento e a manifestação na porta, o primeiro debate presidencial pode começar antes mesmo de as câmeras serem ligadas — exatamente no terreno de surpresa em que Marçal costuma bagunçar o coreto.