Em 21 de julho de 2026, em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, participou de reunião com representantes diplomáticos de cerca de 40 a 42 países e blocos, incluindo Estados Unidos, China, Israel, Alemanha, Reino Unido, União Europeia e Liga dos Estados Árabes. O evento, organizado pela agência Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report no ciclo “Debatendo o Brasil”, serviu para o senador apresentar propostas e, de forma central, solicitar que os países enviem a maior quantidade possível de observadores e pessoas com conhecimento técnico sobre a tecnologia eleitoral para acompanhar o pleito de outubro. Flávio declarou expressamente que não está questionando o sistema de votação brasileiro, mas defendendo mais fiscalização e transparência.

PEDIDO DE OBSERVADORES E ESPECIALISTAS TÉCNICOS

O senador afirmou: “Não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes.” A presença de observadores internacionais é prática recorrente em democracias e já ocorreu em eleições brasileiras anteriores sob diferentes governos. O pedido ocorreu a menos de 75 dias do primeiro turno e coloca a fiscalização externa no centro do debate eleitoral.

MENÇÃO À SMARTMATIC E RESPOSTA DO TSE

No mesmo discurso, Flávio citou documentos da CIA, divulgados recentemente no contexto de denúncias sobre eleições venezuelanas, envolvendo a empresa Smartmatic. Ele afirmou que “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”. O Tribunal Superior Eleitoral reiterou, como já havia feito em notas oficiais de 2017, 2020 e 2022, que a Smartmatic nunca desenvolveu, programou ou operou as urnas eletrônicas brasileiras. A empresa prestou apenas serviços periféricos de conexão de dados e voz em contratos antigos e perdeu licitação para fabricação de urnas (vencida pela Positivo). Todo o projeto e a gestão do sistema eletrônico de votação são da Justiça Eleitoral, com produção sob coordenação do TSE via licitações públicas.

COMPARAÇÃO COM O CASO DE JAIR BOLSONARO

Flávio lembrou que o pai ficou inelegível após a reunião com embaixadores em 2022, na qual levantou dúvidas sobre o sistema eleitoral. “Jair Bolsonaro está inelegível após uma reunião com os embaixadores. Alguém que tinha uma preocupação com a transparência e a segurança do nosso sistema eleitoral, e apenas manifestou suas preocupações para que os embaixadores levassem essa preocupação para os seus países”, disse. A inelegibilidade de Jair Bolsonaro foi decidida pelo TSE em 2023 por abuso de poder político e difusão de informações consideradas falsas sobre as urnas.

A COBERTURA DA GLOBONEWS E A NARRATIVA DE “RISCO”

A GloboNews e veículos como O Globo e UOL enquadraram o episódio como repetição do “roteiro” que levou o ex-presidente à inelegibilidade. A cobertura destacou a menção à Smartmatic (já desmentida pelo TSE) e questionou abertamente se Flávio enfrentará as mesmas consequências jurídicas. O enfoque priorizou a comparação com 2022 e o potencial de “ataques às instituições”, em detrimento do conteúdo principal do pedido de mais observadores e especialistas técnicos — uma demanda legítima de transparência em qualquer democracia.

O QUE A IMPRENSA TRADICIONAL OMITIU

Pedir a presença de observadores internacionais e de técnicos independentes não é crime nem abuso. É reforço de fiscalização. O mesmo sistema eleitoral que a imprensa e o TSE defendem como “à prova de fraudes” continua sendo alvo de questionamentos técnicos legítimos sobre auditabilidade total, impressão do voto e acesso a códigos. A seletividade é evidente: críticas ao sistema feitas por figuras da direita são transformadas em ameaça à democracia; a defesa de mais transparência vira “desespero” ou “roteiro de inelegibilidade”. A 75 dias das eleições, o foco deveria ser garantir o máximo de escrutínio possível, não criminalizar quem o solicita.