Uma suposta fotografia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, voltou a circular nas redes sociais nesta semana. A imagem, divulgada inicialmente pelo site ICL Notícias em 15 de julho de 2026, teria sido registrada em 2022 em um hotel na Zona Sul do Rio de Janeiro. Mourão, falecido em março após tentativa de suicídio na custódia da PF, foi apontado pela Polícia Federal como operador central de um grupo de monitoramento e intimidação ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito das investigações do Caso Master.

ANÁLISE VISUAL APONTA SINAS DE IA NA IMAGEM

Equipe de apuração do Bradock Show identificou vários elementos compatíveis com geração ou manipulação por inteligência artificial. Entre os indícios destacados estão distorções nas mãos e dedos (com proporções anormais no polegar), inconsistências na textura da pele e iluminação entre os rostos, deformações no fundo e reflexos irregulares nos óculos. Esses são artefatos comuns em imagens sintéticas. A análise, porém, ressalta que se trata de indícios e não substitui perícia forense do arquivo original.

ICL NOTÍCIAS DIZ TER VERIFICADO A FOTO

O próprio site que divulgou a imagem afirmou ter submetido o material a múltiplas ferramentas de detecção de IA (incluindo Hive Moderation e outras) e não ter encontrado indícios conclusivos de fraude digital. A fonte da foto, segundo o ICL, pediu sigilo. Essa divergência entre análises reforça a necessidade de exame técnico independente do arquivo bruto.

FLÁVIO BOLSONARO NEGA CONHECER O INDIVÍDUO

O senador e pré-candidato à Presidência reagiu rapidamente em vídeo. Flávio afirmou não saber se a foto é autêntica e, caso seja, trata-se de “mais uma das várias que tiro todos os dias” com pessoas que pedem registro nas ruas devido à sua popularidade. “Eu não tenho como saber quem é aquela pessoa que tá tirando foto comigo”, declarou. Sua assessoria reforçou que não há qualquer relação próxima com Mourão.

CONTEXTO DO CASO MASTER E O “SICÁRIO”

Luiz Phillipi Mourão atuava, segundo a PF, como coordenador de atividades de obtenção de informações, monitoramento e neutralização de adversários do grupo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — instituição envolvida em fraudes bilionárias que causaram prejuízos gigantescos ao FGC e investidores. Mourão morreu em março de 2026 na Superintendência da PF em Belo Horizonte. O caso Master continua repercutindo como um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.

TENTATIVA DE ASSOCIAÇÃO POLÍTICA?

A divulgação da imagem ocorre em momento de pré-campanha, quando narrativas tentam aproximar nomes da direita de escândalos financeiros ou figuras problemáticas. A direita e os bolsonaristas veem nessas pautas uma estratégia recorrente da esquerda para desqualificar opositores, especialmente após áudios e outras associações já contestadas. Flávio Bolsonaro tem sido alvo recorrente de ataques semelhantes, muitos deles comprovadamente envolvendo deepfakes ou manipulações.