Flávio Bolsonaro diz ao NYT que levará para o túmulo como fugiu do Brasil; jornal aponta ajuda de Trump
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em sua primeira entrevista desde que deixou o Brasil, que organizou sozinho a saída do país e que “não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”. A declaração foi dada ao The New York Times e publicada nesta quinta-feira (5). Segundo o jornal, Flávio disse que a decisão de partir foi tomada na manhã seguinte à derrota no segundo turno, em conversa com a esposa, e que os detalhes de como chegou a Miami “vou levar para o túmulo comigo”.
A versão do senador contrasta com as informações obtidas pelo próprio NYT junto a autoridades americanas. O jornal relata que o jato que o levou de Buenos Aires (com escala no Equador) a Miami foi providenciado por um funcionário da Casa Branca — identificado em reportagens anteriores como Jason Miller, assessor de comunicação de Donald Trump — e que a entrada nos Estados Unidos foi autorizada diretamente pelo presidente americano. Flávio também passou pela Argentina, onde um assessor próximo de Javier Milei o encontrou em um aeroporto.
No mesmo depoimento, Flávio reafirmou suspeitas de que a eleição foi fraudada, embora o PL não esteja contestando os resultados formalmente. Ele disse que pretende permanecer nos Estados Unidos “pelo menos por enquanto” e que, se houver novas eleições, “obviamente serei candidato novamente”. O senador deixou o país após o ministro Alexandre de Moraes determinar a entrega dos passaportes em 24 horas, a pedido da Polícia Federal.
A reportagem do NYT descreve a viagem de cerca de 8 mil quilômetros como uma “fuga de investigações criminais” e destaca que Flávio continua a fazer “alegações infundadas de eleição roubada”. O caso expõe as tensões entre a narrativa do senador, que nega ajuda externa, e as fontes oficiais americanas ouvidas pelo jornal, que apontam envolvimento direto de integrantes do governo Trump.

