O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participa nesta terça-feira (7) de audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para discutir a investigação da Seção 301, que pode resultar na aplicação de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O parlamentar terá cerca de cinco minutos para defender o adiamento ou a suspensão da medida e expor argumentos em prol do setor produtivo nacional.

A audiência integra a fase final da apuração aberta pelos EUA sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil em temas como comércio digital (com destaque para o Pix), tarifas preferenciais, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. A decisão final do governo americano está prevista para 15 de julho.

FLÁVIO BUSCA REPOSICIONAMENTO E DEFESA DO AGRO E INDÚSTRIA

Aliados do senador esperam que o discurso sirva para reposicionar Flávio como interlocutor qualificado nas relações Brasil-EUA, afastando tentativas de associar o bolsonarismo à crise tarifária. Ele deve criticar a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, especialmente do agro e da indústria, e defender o Pix como instrumento de eficiência e inclusão financeira.

Flávio enviou manifestação formal ao USTR pedindo a suspensão da tarifa por pelo menos 180 dias, argumentando que a medida prejudicaria exportadores brasileiros, importadores e consumidores americanos, além de fortalecer politicamente o governo Lula.

GOVERNO LULA OPERA POR NEGOCIAÇÃO RESERVADA

Enquanto o senador atua publicamente na audiência, o governo brasileiro optou por não se inscrever para falar no evento e mantém estratégia de contatos diretos com autoridades americanas. Na última semana, o ministro Márcio França (MDIC) se reuniu com representantes dos EUA e o Brasil apresentou novas concessões, incluindo redução de tarifas sobre cerca de 300 linhas de importação de equipamentos para saúde e tecnologia.

REAÇÃO POLÍTICA E CONTEXTO DA INVESTIGAÇÃO

A participação de Flávio ocorre em meio a forte polarização. Aliados veem na audiência oportunidade de mostrar defesa ativa dos interesses brasileiros, enquanto adversários tentam explorar o tema para desgaste político. A investigação da Seção 301 foi iniciada em 2025 e ganhou novo impulso após a conclusão preliminar do USTR.

O senador tem argumentado que um eventual governo de oposição a partir de 2027 permitiria negociações de igual para igual com os Estados Unidos, sem necessidade de medidas coercitivas.