FILHA DE GILMAR EXIBE ANULAÇÃO DA ELEIÇÃO NA ROMÊNIA EM PALESTRA SOBRE “INTERFERÊNCIA ESTRANGEIRA” E ACENDE ALERTA A NOVE DIAS DO PRIMEIRO TURNO
Laura Schertel Mendes mostrou a manchete sobre a Corte romena que cancelou o pleito vencido por um nacionalista e, em seguida, citou perfis estrangeiros que favoreceriam Flávio Bolsonaro. A fala foi no IDP Debates, ao lado de um ministro do TSE.
A advogada Laura Schertel Mendes, filha do ministro Gilmar Mendes, do STF, exibiu nesta sexta-feira (25) um slide com a manchete “Tribunal Constitucional da Romênia anula eleições presidenciais” durante o IDP Debates, evento promovido em São Paulo pelo IDP, escola de direito fundada por Gilmar, em parceria com o Metrópoles. Professora do instituto e diretora do Centro de Direito, Internet e Sociedade (CEDIS), ela dividiu a mesa “A Nova Arena da Democracia: Inteligência Artificial, Informação e Confiança Eleitoral” com o ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques. Ao comentar o slide, afirmou que na Romênia “o Tribunal Constitucional acabou anulando o primeiro turno das eleições e se descobriu milhares de contas ilegais no TikTok, dinheiro e recursos estrangeiros e acabou vendo essa anulação”.
O caso romeno apareceu numa sequência de manchetes sobre inteligência artificial e eleições, ao lado do deepfake de Jair Bolsonaro usado na convenção do PL e de um vídeo falso de Lula sendo preso. Logo depois, a palestrante abriu o bloco “Interferência estrangeira digital” com recortes sobre o Brasil de 2026, entre eles o alerta da Abin sobre risco de interferência dos Estados Unidos, a reportagem do Metrópoles sobre perfis de fora do país que pagaram posts para apontar o favoritismo de Flávio Bolsonaro e o pedido do PT ao STF para investigar suposta interferência estrangeira. Na fala, citou “perfis americanos” pagos para divulgar apostas “colocando na frente, supostamente, um candidato” e defendeu ampliar a capacidade do Estado “em especial relacionada à inteligência de dados”, descrevendo o TSE como “um certo regulador do digital”.
Os títulos das apresentações foram expostos nas redes pelo influenciador Vinicius Carrion, que destacou os slides que lhe chamaram a atenção, e a repercussão cresceu entre apoiadores de Flávio. Na Romênia, a Corte anulou em dezembro de 2024 o pleito em que o nacionalista Calin Georgescu havia vencido o primeiro turno, com base em relatórios de inteligência sobre uma campanha digital apoiada do exterior, e Georgescu acabou impedido de disputar a nova eleição. No Brasil, o PT pediu em 23 de setembro ao ministro Flávio Dino que a Polícia Federal investigue suposta interferência estrangeira a favor de Flávio, e aliados do senador já acusam a campanha petista de preparar terreno para contestar uma vitória da oposição.
Na palestra, Laura apresentou o episódio romeno como exemplo dos riscos do ambiente digital, sem propor a medida para o Brasil. O peso político, porém, vem de quem falou e de quando falou. Filha de um dos ministros mais influentes do Supremo, ela integra desde 2025 o grupo de trabalho do TSE de combate à desinformação eleitoral, segundo a Gazeta do Povo, e a exposição aconteceu a nove dias do primeiro turno, diante de um ministro da corte que vai proclamar o resultado. Para a oposição, a combinação entre a narrativa de interferência estrangeira e o precedente de anulação na Europa é exatamente o roteiro que precisa ser vigiado até 4 de outubro.

