Fachin rejeita pedido de Nikolas e mantém Gonet na PGR após foto com Vorcaro
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, rejeitou o pedido do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) para afastar Paulo Gonet do comando da Procuradoria-Geral da República. A decisão, assinada na quarta-feira (4/11), considerou a petição manifestamente inadmissível.
Nikolas havia protocolado a representação em 19 de setembro, depois que mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, revelaram uma fotografia dos dois em Londres. Na imagem, Gonet aparece em ambiente privado segurando um charuto, com copos de uísque sobre a mesa. O deputado argumentou que a foto e as conversas levantavam dúvidas sobre a relação entre o chefe da PGR e o empresário investigado na Operação Compliance Zero.
Fachin apontou dois fundamentos centrais para negar seguimento ao pedido. Primeiro, a falta de legitimidade processual de Nikolas para exigir que o STF examine diretamente os fatos. Segundo, a ausência de indícios mínimos e de justa causa para abrir investigação. O ministro também destacou que o Conselho Superior do Ministério Público já havia analisado os episódios e concluído que não havia elementos suficientes.
“Não cabe a esta Suprema Corte, à luz dos elementos ora trazidos à colação, deliberar em sentido diverso”, escreveu Fachin. A representação de Nikolas mencionava ainda conversas sobre uma possível viagem a Londres envolvendo Pedro Gonet, filho do procurador-geral, cujas despesas Vorcaro teria autorizado, embora o deslocamento tenha sido cancelado.
Nas redes sociais, Nikolas reagiu com ironia: “Zero surpresas… mas a gente não desiste nunca”. A decisão mantém Gonet no cargo enquanto tramitam as investigações do caso Master, que envolve suspeitas de fraudes bilionárias na cessão de créditos com o BRB.
A rejeição reforça o padrão de barreiras processuais que impedem a direita de exigir escrutínio sobre autoridades ligadas a investigações sensíveis, enquanto o Conselho Superior do MP e a Presidência do STF se alinham na recusa de aprofundar o exame dos fatos trazidos pelo parlamentar.

