EVO MORALES AMEAÇA GUERRA CIVIL NA BOLÍVIA E DIZ QUE NÃO SE RENDERÁ
Refugiado em seu bastião cocalero no Chapare e procurado pela Justiça por varias acusações, o ex-presidente socialista desafia o governo de centro-direita de Rodrigo Paz e alerta para confronto armado caso haja intervenção, em entrevista à Euronews e AFP.
O ex-presidente boliviano Evo Morales, fugitivo da Justiça e escondido na região do Chapare, declarou que o governo de Rodrigo Paz está “forçando uma guerra civil” com sua “política neoliberal” e garantiu que “não me vou render”. A declaração foi feita em entrevista à agência AFP, repercutida pela Euronews, dias após o governo ameaçar intervir militarmente em seu reduto político.
MORALES SE ESCONDE NO CHAPARE SOB PROTEÇÃO DE COCAINEIROS
Morales permanece refugiado desde 2024 na região selvática do Chapare, em Cochabamba, feudo histórico dos cocaleros. Para chegar até ele é necessário passar por vários postos de controle, onde dezenas de seguidores, alguns armados, montam guarda. Sobre ele pesa ordem de captura por suposta trata de menor — caso que ele classifica como “processo inventado” e perseguição política.
GOVERNO DE RODRIGO PAZ BUSCA ESTABILIDADE APÓS 20 ANOS DE SOCIALISMO
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Rodrigo Paz, eleito em 2025 com proposta de centro-direita, pôs fim a duas décadas de governos do MAS (Movimento ao Socialismo), fundado e liderado por Morales. O novo presidente herdou grave crise econômica, com escassez de dólares, combustíveis e alimentos agravada por bloqueios de estradas promovidos por aliados de Morales. Paz decretou estado de exceção e mobilizou forças de segurança para desbloquear rotas.
AMEAÇA DE INTERVENÇÃO NO CHAPARE E RESISTÊNCIA ANUNCIADA
Diante da possibilidade de operação para capturá-lo, Morales alertou que qualquer intervenção militar ou policial será resistida pelos camponeses. “Estamos bem organizados. Sabem que companheiros vão se defender”, disse. Ele insiste que não deseja mortos, mas acusa o governo de “estado colonial” e neoliberal de empurrar o país para conflito interno.
LEGADO DE MORALES: COCA, INSTABILIDADE E ACUSAÇÕES GRAVES
Líder cocalero, Morales governou a Bolívia de 2006 a 2019 com forte viés socialista, nacionalizações e alianças com regimes de esquerda como Venezuela, Cuba e Nicarágua. Seu governo foi marcado por acusações recorrentes de envolvimento com narcotráfico — que ele nega — e por concentrar poder. A direita boliviana e observadores conservadores veem em sua figura atual o reflexo típico do caudilhismo de esquerda: quando perde o poder, recorre à mobilização violenta e à retórica de “resistência” em vez de aceitar a alternância democrática.
REAÇÃO POLÍTICA E POPULAR DIANTE DO DESAFIO
O governo de Paz responsabiliza diretamente Morales pelos bloqueios que paralisaram o país por semanas. Setores da oposição e da sociedade civil cobram aplicação da lei sem hesitação. Morales, por sua vez, mantém influência entre bases indígenas e camponesas, mas seu confronto frontal aumenta o risco de convulsão social em um país já fragilizado economicamente.

