EUA DECIDEM NOVAS TARIFAS DE ATÉ 37,5% SOBRE O BRASIL COM PRAZO ATÉ 15 DE JULHO
CNI envia carta a Donald Trump e participa de audiências em Washington enquanto governo Lula é criticado por postura passiva; setor industrial alerta para impacto de até US$ 14,9 bilhões em exportações, com setores como máquinas, plásticos e calçados entre os mais vulneráveis.
Os Estados Unidos devem definir até 15 de julho novas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, que podem chegar a 37,5% em diversos setores. A medida, decorrente de investigações do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), gera preocupação na indústria nacional, que tem atuado ativamente para mitigar os danos.
CNI ENVIA CARTA A TRUMP E DEFENDE EXCEÇÕES
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) encaminhou comunicação ao presidente Donald Trump e participou de audiências públicas em Washington. O presidente da entidade, Ricardo Alban, destacou a expectativa de redução das alíquotas ou ampliação da lista de exceções, especialmente em produtos onde o Brasil é fornecedor relevante ou os EUA enfrentam dificuldade de substituição. “Nós estamos vendo muita dificuldade de que a decisão não seja tomada no dia 15”, afirmou.
POSTURA PASSIVA DO GOVERNO LULA É CRITICADA
Enquanto a diplomacia privada e o setor produtivo se mobilizam, o governo brasileiro enfrenta críticas por aparente inação. Fontes diplomáticas e empresariais apontam que o Itamaraty não conseguiu avanços significativos para reverter ou adiar a medida, contrastando com a proatividade da CNI. O prazo final se aproxima sem indícios claros de reunião de alto nível que possa alterar o cenário.
IMPACTO NOS SETORES PRODUTIVOS
Estima-se que mais de 4 mil produtos brasileiros possam ser afetados, representando bilhões em exportações. Setores como máquinas e equipamentos, plásticos, calçados, madeira, café solúvel e pescados estão entre os mais vulneráveis. Produtos como ferro-gusa, açúcar e etanol também enfrentam riscos elevados. A CNI projeta que 31,6% das exportações para os EUA poderiam sofrer a tarifa acumulada de 37,5%.
CONTEXTO DA RELAÇÃO COMERCIAL BRASIL-EUA
As tarifas se somam a medidas anteriores da Seção 232 e 122, refletindo preocupações americanas com práticas comerciais, propriedade intelectual e outros temas. Para a direita conservadora, o episódio reforça a necessidade de uma postura mais assertiva e pragmática do Brasil, priorizando a defesa da soberania econômica e dos interesses nacionais sem ideologia ou submissão. Negociações firmes, sem concessões desnecessárias, são essenciais para proteger empregos e a indústria brasileira frente ao protecionismo de Trump.
A decisão de 15 de julho definirá o tom das relações comerciais nos próximos meses. O setor produtivo brasileiro demonstra disposição para o diálogo, cabendo agora ao governo federal agir com urgência e eficácia.

