A decisão do governo dos Estados Unidos de designar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como entidades terroristas, aliada à ameaça de novas tarifas sobre produtos brasileiros logo após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente Donald Trump, gerou forte alerta entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A quatro meses das eleições presidenciais de 2026, assessores próximos a Lula avaliam que as medidas americanas representam uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro.

POSIÇÃO DE CELSO AMORIM

Para o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais e um dos principais conselheiros de Lula na área, apesar dos fatores citados, o governo Trump não deverá tentar interferir diretamente nas eleições do Brasil.

Amorim tem sido voz moderada nas relações Brasil-EUA, defendendo diálogo mesmo em meio a divergências comerciais e de segurança.

CONTEXTO DA VISITA DE FLÁVIO BOLSONARO

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, esteve recentemente com Donald Trump. Pouco depois, os EUA anunciaram a designação de PCC e CV como organizações terroristas — medida que pode facilitar sanções e cooperação internacional contra as facções — e ameaçaram novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Aliados de Lula veem nexo causal e interpretam como pressão indireta a favor da oposição bolsonarista.

IMPACTO POLÍTICO

O episódio reforça a narrativa de polarização internacional. Enquanto a direita celebra a aproximação com Trump e medidas contra o crime organizado, o governo petista vê risco de instrumentalização externa das eleições.

A PGR e o Itamaraty acompanham os desdobramentos, especialmente os impactos das possíveis tarifas sobre a economia brasileira.