EMPRESÁRIOS BRASILEIROS BUSCAM ALTERNATIVAS PARA MITIGAR PREJUÍZOS COM TARIFAÇO AMERICANO
Setores como calçados, madeira e máquinas e equipamentos já calculam quedas nas exportações e preveem redução de empregos. Enquanto o governo negocia e prepara medidas de apoio, empresas tentam diversificar mercados e antecipar embarques.
Empresários brasileiros afetados pelo novo tarifaço americano de 25% estão recalculando prejuízos e buscando estratégias para manter a produção e evitar demissões. O impacto atinge setores chave das exportações para os EUA, principal destino de produtos como calçados, madeira e máquinas.
SETOR DE CALÇADOS ESTIMA QUEDA DE 7% NAS EXPORTAÇÕES
Em cada 10 pares de calçados exportados pelo Brasil, a maioria vai para o mercado americano. O setor, que se recuperava do tarifaço anterior, agora projeta redução de 7% no total das exportações em 2026. Fabricantes em Novo Hamburgo (RS) relatam dificuldade para migrar ao mercado sul-americano ou interno e preveem cortes de quadro de funcionários. “Não tem outra saída”, lamentou um empresário.
MADEIRA DO RS TENTA EVITAR PARADAS NA PRODUÇÃO
Os EUA são o principal destino da madeira gaúcha. Após prejuízos no tarifaço anterior, que paralisou produção por meses, empresas agora buscam reduzir custos ou fazer adaptações para manter operações parciais. A expectativa é de recuperação futura, mas o cenário imediato exige ajustes.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS PODEM CAIR ATÉ 11%
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que 26% das exportações brasileiras para os EUA serão afetadas. O governo federal projeta impacto em torno de 18%. Em alguns casos, exportadores cogitam dividir o custo da tarifa com importadores americanos para não perder negócios.
GOVERNO NEGOCIA E PREPARA APOIO ÀS EMPRESAS
O Itamaraty e o Ministério da Fazenda afirmam que o Brasil não sairá da mesa de negociação e estuda programa de socorro. O chanceler Mauro Vieira rebateu acusações americanas, destacando mais de 30 reuniões e dados apresentados sobre Pix, desmatamento e outros pontos. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, classificou como “descabido” o argumento sobre o Pix prejudicar cartões de crédito, citando crescimento de 150% nesse mercado.
LEI DA RECIPROCIDADE É INSTRUMENTO EM ANÁLISE
O governo brasileiro não descarta usar a Lei da Reciprocidade contra produtos americanos, aprovada por unanimidade no Congresso. “É um instrumento jurídico legal importante”, reforçou autoridade do Planalto. Madeira exportada é certificada e fiscalizada, segundo defesa oficial.
DIVERSIFICAÇÃO DE MERCADOS E ADAPTAÇÕES SÃO CAMINHOS
Empresários buscam novos compradores, mas reconhecem que adaptações técnicas para outros mercados levam tempo. O episódio reforça a necessidade de reduzir dependência de um único destino e fortalecer a competitividade da indústria nacional diante de barreiras protecionistas.

