ELN SE ALINHA COM A ESQUERDA E AMEAÇA APOIAR PROTESTOS CONTRA GOVERNO DE DIREITA NA COLÔMBIA
Comandante do ELN declara à Reuters que a guerrilha ficará “do lado do povo” em caso de manifestações contra um eventual governo de Abelardo de la Espriella. A declaração expõe a ligação histórica entre a esquerda colombiana e grupos armados, enquanto o país vive tensão na véspera da segunda volta presidencial.
O Exército de Libertação Nacional (ELN), uma das últimas guerrilhas ativas da Colômbia, posicionou-se explicitamente ao lado da esquerda ao declarar que atuará “do lado do povo” em eventuais protestos contra um governo de direita. A advertência foi feita pelo comandante do Frente de Guerra Ocidental, conhecido como ‘Yerson’, em entrevista exclusiva à Reuters na selva do Chocó.
A declaração ocorre às vésperas da segunda volta presidencial deste domingo (21 de junho de 2026), com o candidato de direita Abelardo de la Espriella liderando as pesquisas e prometendo mão dura contra grupos armados ilegais.
GUERRILHA AMEAÇA ATUAR CONTRA DIREITA E MANTÉM CRIMES PARA FINANCIAMENTO
‘Yerson’ afirmou que o ELN está disposto a dialogar com qualquer presidente, mas garantiu que resistirá a ofensivas militares e continuará as “retenciones económicas” (extorsões), além de impostos sobre narcotráfico, garimpo ilegal e outras atividades criminosas. A organização, próxima de completar 62 anos, admite ter fortalecido seu contingente e controle territorial durante o governo de Gustavo Petro.
LIGAÇÃO HISTÓRICA ENTRE ESQUERDA E GUERRILHA
O ELN surge como herdeiro ideológico da esquerda marxista-leninista, com raízes na teologia da libertação. Durante o mandato de Petro — o primeiro presidente de esquerda da Colômbia e ex-membro do M-19 —, o grupo manteve negociações de “Paz Total” que fracassaram. O candidato oficialista Iván Cepeda, aliado de Petro, promete continuar a estratégia de diálogo, enquanto o ELN já sinaliza apoio a mobilizações contra a direita. Conservadores veem nisso a continuação de um padrão: a esquerda colombiana historicamente tolera ou dialoga com guerrilhas, enquanto a população sofre com violência e extorsão.
CENÁRIO ELEITORAL E REAÇÃO DAS FORÇAS DE SEGURANÇA
Abelardo de la Espriella, do movimento Defensores de la Patria, lidera as intenções de voto com discurso de segurança, inspirado em modelos como Bukele. Iván Cepeda representa a continuidade petrista. Em Cali, autoridades ativaram plano de segurança com blindados e milhares de policiais para garantir a votação.
MERCADOS EM ALERTA E IMPACTO NA ESTABILIDADE
Analistas preveem volatilidade para investimentos e dívida soberana caso a instabilidade persista. O ELN, acusado de narcotráfico e designado como organização terrorista por EUA e UE, reforça o risco de escalada se a direita vencer.

