Flávio Dino mandou nesta segunda (28) o caso de Nossa Senhora Aparecida para o plenário do Supremo, em sessão presencial. O julgamento ainda não tem data. No despacho, ele disse que a proximidade do dia da santa, 12 de outubro, torna a situação “ainda mais grave” e que a ordem de André Mendonça pode “levar à censura em massa”, porque teria “delegado largos poderes censórios às empresas de internet”. O Poder360 e a Gazeta do Povo registraram o envio. O Congresso em Foco anotou que a sessão segue sem dia marcado.

A ordem que Dino quer que os outros ministros examinem é a dele mesmo, de domingo (27), quando cassou a liminar de Mendonça no TSE. Na sexta (25), Mendonça mandou tirar do ar mais de mil publicações que ligavam Flávio Bolsonaro a um plano de tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira. Fixou multa de R$ 30 mil por descumprimento e vedou a reprodução de conteúdo parecido. O caso nasceu num post de Antonio Tabet, às 22h28 de 24 de setembro: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida.” O texto não cita Flávio pelo nome. Dino devolveu essa publicação e outras derrubadas pelo mesmo fundamento. Flávio nega a história da santa. A campanha tratou o conteúdo como informação falsa.

Faltam seis dias para 4 de outubro. O post voltou. A multa de quem repetir a versão de Mendonça está suspensa pela caneta de Dino. O plenário que ele convocou não tem hora. Até lá, a frase sobre a padroeira circula, e o ministro chama de censura a ordem que tirou a mentira do ar.