Flávio Dino encaminhou nesta terça (29) ao TRE do Distrito Federal uma denúncia do PSOL contra Bia Kicis, deputada do PL e candidata ao Senado. O ministro também mandou os papéis à Procuradoria Regional Eleitoral e pediu análise urgente, por causa da proximidade da eleição. A BandNews registrou o que a peça não faz: Dino não concluiu que houve irregularidade e não concluiu que a emenda serviu a promoção pessoal. Quem vai dizer isso, se disser, é a Justiça Eleitoral.

O pedido do PSOL entrou na quinta (24) na ADPF 854, a ação do orçamento secreto, relatada por Dino. O alvo é uma emenda de R$ 250 mil que Kicis destinou em 2025 ao Instituto Viver-Brasil, para o projeto Mulheres que Tecem Histórias. O instituto, em Sobradinho, tem no quadro Camilla Simões de Sena Sampaio, filha do pastor Ademar de Sena Sampaio, investigado pela Polícia Federal no caso do filme Dark Horse. O e-mail do órgão no Portal da Transparência é ademardesena@gmail.com. A proposta é de julho de 2025, o convênio de dezembro, e a prestação de contas vai até junho de 2027. O PSOL aponta anúncios da loja Bia Brasil em pontos de ônibus de Samambaia, Guará, Águas Claras, Ceilândia e Riacho Fundo, com as frases “Bia é moderna”, “Bia é completa”, “Bia é liberdade” e “Deixa a Bia surpreender você”, sem produto, preço ou coleção. A loja declara capital social de R$ 2 mil. O partido quer extrato, nota e contrato, e quer saber se saiu dinheiro do instituto para a loja.

Kicis disse ao Estadão que a emenda não prevê recurso para o Dark Horse. O pastor não se manifestou. Outra emenda dela, de R$ 150 mil, à Academia Nacional de Cultura, presidida por Karina Ferreira da Gama, não teve execução e é outra história. O que andou nesta terça não foi uma condenação. Foi o relator do orçamento secreto empurrando a candidata do PL para a fila urgente do TRE, com a urna no domingo. A suspeita do PSOL continua suspeita. O relógio que Dino acionou é o da eleição.