A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (14) a terceira fase da Operação Transparência e cumpre quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo contra o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), aliado do ministro do STF André Mendonça, e contra a advogada Valéria Rodrigues Linhares, mulher do parlamentar. As ordens foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino. Segundo a PF, a frente apura exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro: o grupo investigado teria negociado pagamento de valores expressivos condicionados ao resultado de processos em tribunais superiores. Na decisão que liberou as buscas, Dino aponta indícios de que Cezinha buscava vender influência ao afirmar acesso direto a André Mendonça e a Kássio Nunes Marques — e destaca que os magistrados não são investigados e que não há elementos de solicitação ou recebimento de vantagem por integrantes do Judiciário. A apuração começou em dezembro de 2025 sobre emendas; Cezinha é apontado como quem articulou, em março de 2025, o encontro entre Mendonça e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e Valéria teve R$ 510 mil apreendidos em agosto no aeroporto de Congonhas — a defesa dela nega ilegalidade e o deputado, por enquanto, não se manifesta.

Deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), alvo da terceira fase da Operação Transparência

Na leitura da direita, o enquadramento e o timing abrem uma pescaria probatória e um cerco político a André Mendonça, ministro fora do bloco de Alexandre de Moraes, às vésperas do plenário de terça (15) sobre o relatório da PF que mira Moraes. O fato confirmado é a autorização de Dino e a menção nominal a Mendonça e Kássio nas mensagens citadas; a hipótese conservadora — atribuída ao campo bolsonarista e a aliados do PL, sem ordem vazada — é que a operação contra o aliado evangélico funciona como articulação do eixo Moraes–Dino–Zanin para desgastar o ministro que não fecha com a cúpula e para abrir caminho a pressão por cassação do parlamentar do PL. Seletiva e na véspera de uma sessão que pode definir o futuro de Moraes, a ação é lida como pretexto para enfraquecer quem está do outro lado da Corte, enquanto a própria decisão afasta os ministros do alvo formal. Fontes: Instagram DdRvUmAlP3r, Instagram DdRggE4xE7I, Instagram Folha/Mônica Bergamo, Poder360, CNN Brasil, Estadão, SBT News.

Ministro André Mendonça, do STF, citado na decisão de Dino e alvo da leitura de pressão política