Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência, defendeu em sabatina de CBN, O Globo e Valor uma tributação elevada sobre as big techs, comparável à aplicada ao cigarro, e afirmou que pretende levar Mark Zuckerberg a um “tribunal internacional” caso sejam comprovados danos e responsabilidades das plataformas sobre crianças e adolescentes. Cury relacionou o uso excessivo das redes a ansiedade, irritabilidade e dependência, mas rejeitou censura e banimento de aplicativos, defendendo liberdade de expressão, educação familiar e proteção de menores.

Juridicamente, a promessa carece de foro e base definidos: a Corte Internacional de Justiça julga disputas entre Estados, enquanto o Tribunal Penal Internacional processa pessoas apenas pelos crimes previstos no Estatuto de Roma, como genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e agressão. Isso não impede eventual responsabilização doméstica de empresas ou executivos quando houver lei, competência e prova. Estudos apontam riscos associados ao uso excessivo de redes por jovens, embora a intensidade e a causalidade desses efeitos não sejam uniformes nem pacíficas na literatura.

Na análise editorial do Dr. Sandro, o discurso aproxima Cury da agenda regulatória e tributária defendida pelo governo Lula e pode afastar eleitores de direita que chegaram a enxergá-lo como terceira via. A comparação com Pablo Marçal limita-se ao possível erro estratégico e à autossabotagem eleitoral: os episódios não são juridicamente equivalentes, pois Marçal divulgou um documento identificado como falso contra Guilherme Boulos, enquanto Cury apresentou uma proposta política controversa. Ao radicalizar contra as plataformas sem explicar o caminho jurídico, Cury arrisca destruir a ponte eleitoral que ainda tentava construir.