O cientista político Murilo Medeiros afirmou, em reel publicado nesta sexta-feira (18) pelo portal Metrópoles, que “quanto mais a crise no STF se agrava, mais a campanha de Lula sai prejudicada”. No mesmo dia, o perfil Metrópoles Política divulgou outro reel em que a análise aponta que o voto útil pode mudar a reta final da eleição. O contexto é a crise institucional no Supremo — após a sessão extraordinária de 15 de setembro sem definição sobre investigar o ministro Alexandre de Moraes e com o pedido de vista do ministro Flávio Dino — a menos de três semanas do primeiro turno de 4 de outubro.

Fachada do Supremo Tribunal Federal em Brasília, epicentro da crise institucional

No reel sobre voto útil, o analista destaca que candidaturas alternativas somam cerca de 15% e formam um eleitorado volátil, no qual o fenômeno do voto útil pode se intensificar na chegada do primeiro turno. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta (17) aponta empate técnico: Lula (PT) com 39% e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 36% no primeiro turno; no segundo, 46% a 44%. A Quaest de 14/9 mostrou Flávio numericamente à frente no segundo turno (42% a 40%) e transferência favorável a ele entre eleitores de Augusto Cury (41%), Renan Santos (50%) e Ronaldo Caiado (46%). Folha e O Globo registram que as campanhas intensificam o apelo ao voto útil; Flávio pediu em live que eleitores de outras opções de direita o considerem já no primeiro turno.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cuja campanha sofre desgaste ligado à crise no STFSenador Flávio Bolsonaro (PL), beneficiário potencial do voto útil na reta final

Na leitura conservadora, o prolongamento da crise no STF pressiona o governo Lula e abre espaço ao voto útil em favor de Flávio Bolsonaro — o nome mais competitivo da direita para concentrar o medo de “desperdiçar” o voto e explorar o desgaste da Corte até as urnas. O empate técnico do Datafolha e as ressalvas de especialistas não provam, por si sós, que a turbulência do Supremo já deslocou o eleitorado; tornam, porém, indispensável esclarecer, com transparência institucional, se o agravamento da crise na Corte e a dinâmica do voto útil já definem a reta final até 4 de outubro — e quanto Flávio pode lucrar com esse eixo. Fontes: Metrópoles — crise no STF (Murilo Medeiros); Metrópoles Política — voto útil.