O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou uma redução de 50% no próprio salário e nos vencimentos de todo o seu escalão de ministros. A decisão drástica ocorre em meio a uma onda de protestos violentos que paralisa o país vizinho há mais de três semanas. Manifestações lideradas por sindicatos, mineradores e grupos indígenas cobram uma resposta para a grave crise econômica que assola o território boliviano. O cenário real é de desabastecimento agudo, com falta crônica de combustíveis, alimentos e medicamentos decorrente dos intensos bloqueios de rodovias.

O POPULISMO COBRA A CONTA DA ECONOMIA BOLIVIANA

A situação na Bolívia demonstra o esgotamento prático de um modelo econômico amplamente defendido pela esquerda latino-americana. A escassez de produtos básicos nas prateleiras e nos postos de combustíveis expõe a fragilidade institucional gerada por anos de políticas populistas. Para tentar conter a fúria das ruas e sinalizar uma austeridade de fachada, a redução salarial da cúpula do Executivo foi a única cartada que restou ao governo de Rodrigo Paz. No entanto, as medidas paliativas parecem insuficientes para conter a indignação da população, que sofre diariamente com a inflação e a falta de recursos básicos.

O EX-PRESIDENTE FORAGIDO QUE TENTA INCENDIAR O PAÍS

O elemento político mais explosivo da crise atende pelo nome de Evo Morales. O ex-presidente esquerdista, que atualmente encontra-se foragido da Justiça sob graves acusações de estupro e tráfico de pessoas, aproveita o caos para inflamar o cenário político e exigir a antecipação de novas eleições presidenciais. A articulação de Morales evidencia uma estratégia clássica de setores radicais que utilizam as convulsões sociais provocadas por seus próprios legados para tentar retomar o controle do poder central a qualquer custo.

O TELEFONEMA DE LULA E O SOCORRO COM DINHEIRO DO BRASILEIRO

Buscando apoio internacional para evitar a queda total de sua gestão, o presidente Rodrigo Paz já obteve ajuda humanitária proveniente dos Estados Unidos e da Argentina. No entanto, o socorro mais recente veio diretamente de Brasília. Em conversa telefônica realizada nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu o atendimento imediato ao pedido do colega boliviano para o envio de ajuda humanitária por parte do Brasil. Em nota oficial emitida pelo Palácio do Planalto, o governo brasileiro manifestou solidariedade ao regime vizinho e reforçou a necessidade de manutenção do chamado estado de direito. Resta ao cidadão brasileiro questionar o custo real dessa intervenção diplomática em um país vizinho arruinado pelas velhas receitas socialistas.