O jornalista Cláudio Dantas afirmou que o aumento do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas da eleição configura abuso de poder político e econômico e deve gerar a cassação da chapa. Em declaração reproduzida nesta quinta-feira (17) em reel do perfil Ceará Antenado, Dantas sustentou que a medida, tomada a 17 dias do primeiro turno de 4 de outubro, rompe a isonomia do pleito.

Jornalista Cláudio Dantas, que classifica o reajuste do Bolsa Família como abuso de poder

O governo elevou o piso do programa de R$ 600 para R$ 691 — reajuste de 15,04% —, com benefício médio estimado em cerca de R$ 777 e pagamentos a partir de 19 de outubro, entre os turnos. “É abuso de poder político e econômico, e o que vem depois vai ser bem pior”, disse Dantas no trecho divulgado. A Advocacia-Geral da União sustenta que se trata de reposição inflacionária pelo INPC, sem ampliação do público. No TSE, a representação do deputado Zé Trovão (PL-SC) foi extinta por ilegitimidade, sem exame do mérito, e o candidato Renan Santos (Missão) pediu a suspensão do decreto e a cassação da chapa caso Lula seja eleito.

Famílias beneficiárias do Bolsa Família, programa cujo piso passou de R$ 600 para R$ 691Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cuja chapa é alvo de pedidos de cassação no TSE

O timing do reajuste — depois de o STF ter declarado inconstitucional, em 2024, aumentos de benefícios sociais em ano eleitoral no episódio de 2022 — não prova, por si só, o desfecho da chapa Lula-Alckmin na Justiça Eleitoral. Mas a combinação de anúncio a 17 dias da urna, correção fora do orçamento enviado ao Congresso e pagamentos entre turnos torna indispensável esclarecer, com a mesma régua aplicada em 2022, se houve abuso de poder político e econômico. A cobrança da direita é isonomia: se a regra vale para todos, a chapa deve enfrentar pressão por cassação no TSE.