O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira, 22 de outubro, que a Meta envie em 24 horas um relatório técnico completo sobre o canal de WhatsApp “Exército do Lula”. A decisão atende a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e busca verificar se houve atuação coordenada, replicação de mensagens e possível amplificação artificial de conteúdos.

O canal, criado e coordenado pelo deputado André Janones, reúne milhões de seguidores e funciona como uma máquina de mobilização digital da campanha de Lula. Mensagens saem de um comando central e se espalham rapidamente pelas redes, orientando apoiadores a curtir, comentar e compartilhar conteúdos em massa. A campanha de Flávio Bolsonaro aponta que essa estrutura foi usada para espalhar informações falsas sobre o candidato, como a ideia de que ele retiraria Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil ou reduziria benefícios sociais.

Em decisões anteriores, Nunes Marques já havia suspendido o canal e imposto regras de registro e prazos. A área técnica do TSE analisou publicações recentes e não localizou as mensagens específicas questionadas no período examinado, mas registrou sinais de atuação coordenada e a exclusão de conteúdos anteriores. Agora a Meta precisa apresentar dados técnicos sobre sincronização de atividades, alcance e eventuais impulsos artificiais. O ministro também cobrou do Google informações sobre amplificação coordenada de termos e hashtags entre 18 e 20 de outubro. A medida coloca sob lupa o funcionamento de um canal que, segundo a oposição, opera como um exército digital organizado para influenciar o debate eleitoral às vésperas do segundo turno.